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Três anos depois de terem surgido as primeiras suspeitas, a Polícia Judiciária deteve um empresário chinês que reside na zona de Lisboa e que terá, segundo a investigação, recorrido a esquemas de lavagem de dinheiro como ‘mulas’ de dinheiro e sociedades falsas para enviar mais de dois milhões de euros para a China sem passar pelo Fisco.

O cidadão chinês, que teria obtido o dinheiro em negócios de comércio e restauração, está indiciado por crimes de falsificação ou contrafação de documentos, que são puníveis com multa de até 600 dias ou cinco anos de cadeia, contam esta terça-feira o Jornal de Notícias e o Correio da Manhã. Foi detido pela PJ, estando, por decisão do tribunal, a aguardar o desenvolvimento do processo em prisão preventiva.

A história começa em 2018, quando duas mulheres foram apanhadas no aeroporto de Lisboa, de onde partiam para a China, com um milhão de euros em notas. O empresário chinês, que residirá em Oeiras, recorreria a mulas de dinheiro (pessoas que recebiam os montantes nas suas contas bancárias e os voltavam a transferir depois para outras, ou que os levantavam e entregavam a outras) para fazer a lavagem de dinheiro. Terá passado, depois, a criar sociedades fictícias com contas bancárias associadas como parte do mesmo esquema.

Pandemia alterou esquema

Num comunicado publicado pela PJ nesta segunda-feira, detalha-se que a Unidade Nacional de Combate à Corrupção daquela polícia fez buscas à casa do homem e encontrou “vários passaportes falsos”, vários deles com “a fotografia do detido”, além de mais de 400 mil euros “dissimulados e acondicionados em diferentes partes da casa”.

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“Parte da documentação apreendida” e os nomes que constam em três dos passaportes falsos “foram utilizados, no decurso de 2019, para a constituição de diversas sociedades e abertura de várias contas bancárias”, prossegue o comunicado. A polícia diz que a alteração do modus operandi do homem, do uso de mulas de dinheiro para a constituição de sociedades falsas e a abertura de contas bancárias tituladas por estas, terá também tido a ver com as restrições em relação a viagens por causa da pandemia.

“Por existirem suspeitas quanto à origem dos fundos, mormente de que estivessem relacionados com manobras de branqueamento, foi decretada a suspensão das respetivas operações bancárias naquelas contas”, conclui a polícia.