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A seleção feminina de andebol de praia da Noruega protestou esta segunda-feira contra as regras da Federação Internacional de Andebol, que indicam que as jogadoras devem usar biquíni e que a parte inferior do equipamento não deve cobrir mais de 10 centímetros da parte superior das pernas.

As jogadoras — que disputavam a partida para a medalha de bronze do Campeonato Europeu de Andebol de Praia contra a equipa espanhola — usaram um top e calções e acabaram multadas.

A Comissão Disciplinar do Euro 2021 de andebol de praia decidiu multar em 150 euros cada jogadora da equipa, o que equivale a 1.500 euros de multa no total.

Antes da decisão, o chefe da Federação Norueguesa de Andebol, Kare Geir Lio, disse à agência de notícias France Presse (AFP) que estava disposto a pagar qualquer multa, defendendo que “o mais importante é ter equipamentos com os quais os atletas se sintam confortáveis”. E ao Washington Post acrescentou ainda que a questão é simples: não só o equipamento regulamentado não é ideal para os movimentos do desporto, como é difícil recrutar atletas devido a essa mesma regra.

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“A federação vai apoiar o direito da equipa em apontar as diferenças entre géneros“, acrescentou a responsável federativa.

As jogadoras da Noruega entendem que a regra é sexista e que se sentem desconfortáveis, daí terem pedido aos organismos que regem a modalidade para poderem jogar de calções. Outros países, como a Suécia, já se juntaram a esta luta, mas até agora nada mudou.

“Primeiro disseram-nos que íamos ser multadas em 50 euros por jogador por jogo, o que implicaria uma multa de cinco mil euros. Respondemos que concordávamos”, disse Katinka Haltvik, capitã da equipa norueguesa de andebol de praia, à NRK, estação pública do seu país, explicando o que aconteceu antes do Europeu.

A jogadora explicou ainda que na competição, onde acabou por crescer toda a polémica, a organização ameaçou desqualificar a equipa. “Disseram-nos que o valor das multas ia aumentar em cada jogo e ameaçaram com outras multas. Antes do primeiro jogo, avisaram-nos que seríamos desqualificadas, pelo que fomos forçadas a jogar de biquíni”, explicou ainda Haltvik.

Por seu lado, o porta-voz da Federação Europeia de Andebol, Andrew Barringer, disse que a instituição está “empenhada colocar o tema em cima da mesa, no interesse dos seus membros”, mas lembra que uma mudança nas regras só pode acontecer a nível da Federação Internacional de Andebol.

Notícia atualizada às 15h15 de dia 20 de julho.