A reestruturação da dívida de Luís Filipe Vieira negociada em 2017 resultou na assunção de riscos adicionais para o Novo Banco, de acordo com uma das propostas aprovadas de alteração ao relatório da comissão de inquérito aos atos de gestão do banco.

A iniciativa foi do PSD e surgiu depois de auditoria da BDO pedida pelo Fundo de Resolução só ter sido enviada à comissão parlamentar de inquérito já após o prazo para a entrega das propostas, explicou Hugo Carneiro. A conclusão, aprovada por unanimidade, considera que com a constituição de um fundo que ficou a gerir os ativos imobiliários do ex-presidente do Benfica, o Novo Banco incorre na assunção de riscos adicionais. E alerta que as entradas de dinheiro que ocorreram neste fundo detido pelo banco, mas gerido por uma sociedade gestora com várias ligações ao devedor, poderão não ser suficientes para a exploração dos ativos imobiliários que estão na carteira.

Novo Banco podia ter encaixado 150 milhões a executar empresas de Vieira, mas teria perdas e riscos significativos

A auditoria da BDO, cujas principais conclusões o Observador divulgou, valida a tese de que a reestruturação da dívida da Promovalor aprovada pelo Novo Banco era a solução menos má face às alternativas estudadas, nomeadamente a execução das garantias prestadas pelas empresas controladas pelo ex-presidente do Benfica. No entanto, aponta debilidades à operação, pela qual o banco assumiu o risco de negócio dos projetos imobiliários de Vieira.

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Para além de existirem desvios importantes face aos planos de negócios dos ativos imobiliários, mesmo que os cash-flows previstos fossem alcançados não teriam a dimensão necessária para reembolsar todo o valor previsto aos donos do Fundo até 2032.

Com base na referida auditoria, o relatório da comissão de inquérito irá assumir que “é pouco plausível que os projetos desenvolvidos possam ser financiados por outros bancos, ao contrario da ideia que transmitiu o gestor do fundo. Esta situação poderá levar a um aumento da exposição do Novo Banco ao universo dos negócios abrangidos por Luís Filipe Vieira, sob pena de desvalorização dos projetos”. E irá também sinalizar que a escolha da sociedade gestora, a Capital Partners de Nuno Gaioso (ex-administrador do Benfica) pode implicar riscos reputacionais negativos, como refere a BDO.