Enviado especial do Observador, em Tóquio

Sexta linha, quinta eliminatória, segundo lugar, um lugar garantido nas meias-finais. Depois de ter ficado na fase das eliminatórias nos 100 metros, Lorene Bazolo destacou-se na manhã desta segunda-feira no Estádio Olímpico, conseguindo marcar presença na última fase antes da corrida decisiva dos 200 metros e ficando apenas atrás de Anthonique Strachan, das Bahamas, para um apuramento direto com o registo de 23,21 numa série que tinha também a jamaicana Shericka Jackson, eliminada logo no início da distância ao não passar do 23,26. Mais tarde, iria melhorar apenas muito, muito ligeiramente esse registo (23,20) mas a parte atingível estava cumprida.

Lorène Bazolo apura-se para as semifinais dos 200 metros ao terminar eliminatória em segundo

“Estou grata e feliz por estar na meia-final. A nível de marca queria mais mas estou feliz por ter chegado a uma meia-final, o que consegui agora. Era o meu objetivo chegar às meias mas com uma marca melhor, queria fazer uma aproximação ao meu recorde pessoal ou bater mesmo, o recorde pessoal ou mesmo o nacional. Foi uma meia-final muito difícil, muito dura, e estava também numa pista muito dura, tinha de dar tudo. A corrida tinha de ser perfeita mas não foi, fiz uma boa curva mas na reta não fui o que costumo fazer, além de não ter depois conseguido corrigir. Foi isso que acabou por me custar uma marca abaixo dos 23 segundos. A chuva não incomodou, apesar do calor e de estar a pingar o tempo está excelente”, comentou sobre a prova, antes de falar também da surpresa que foi passar numa eliminatória onde estava a medalha de bronze dos 100 metros.

“Favoritas? Está difícil… Eu apostava numa Shelly-Ann mas a Elaine Thompson também está forte, a miúda da Namíbia… Que ganhe a melhor. Shericka Jackson eliminada no meu heat? Para mim foi uma surpresa, o heat não estava nada fácil. Sabia que tinha de dar o máximo. Quando levantei a cabeça e vi que estava em segundo não acreditava porque havia miúdas num nível mais elevado do que eu. Mas estas provas são mesmo assim”, frisou, antes de abordar também o futuro aos 38 anos, antes de um ano com várias provas internacionais.

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Descalça, com as sapatilhas ainda debaixo do braço, Lorene falava como uma atleta experiente com um corpo de rapariga e uma cabeça de mulher que já pensa em todos os próximos objetivos, sejam eles desportivos ou num outro campo profissional. O recorde dos 200 metros, esse, vai continuar na posse de Lucrécia Jardim, um 22,88 feito nos Jogos de Atlanta em 1996. O dos 100 metros é seu, com 11,15 entre dois recordes que foram conseguidos em junho de 2021 (antes tinha sido 11,17). Também por isso, a questão da “reforma” pode esperar. 

Lorene Bazolo bate recorde nacional e obtém mínimos para os Jogos Olímpicos nos 100 metros

“Parece que tenho 18 anos… Continuar? Sim, sinto-me bem fisicamente e psicologicamente. Estou à espera do futuro, logo vejo. Neste nível estou disponível mas também tenho de ver dentro dos objetivos que tenho se consigo conciliar tudo isso. Por enquanto, estou dentro e disposta a continuar. Tenho um mestrado em Finanças, depois parei para me concentrar no desporto, agora posso continuar ou fazer outra coisa que não posso dizer agora… Campeonato de veteranos? Agora as pessoas sabem a minha idade e chamam veterana mas há quatro ou cinco anos, quando bati o recorde nacional, diziam que tinha um grande futuro… O que conta é como nos sentimos mental e fisicamente, se nos sentirmos bem a idade é só um número. Está tudo na nossa cabeça. Se fosse aos campeonatos de veteranos, não estaria ao nível que quero atingir. Não há mais forte, vou lá e ganho de olhos fechados mas não é isso que eu quero. Já vi as provas e não vi ninguém com 11,15…”, explicou, antes de referir também que “tem um projeto na cabeça” e que pretende continuar a viver em Portugal como até aqui.