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O negócio assinado em meados de 2021 entre o Grupo Volkswagen e a Rimac, que surpreendeu toda a indústria automóvel, foi concretizado hoje. A imponente e prestigiada Bugatti, que produz os superdesportivos mais potentes, luxuosos e sofisticados do mercado, equipados com o único motor de 16 cilindros em W com 8 litros, foi entregue à Rimac, um pequeno e desconhecido fabricante croata especializado em superdesportivos eléctricos, que desde 2013 fabricou apenas 10 veículos. Tudo para que o gigante alemão possa aceder à tecnologia da empresa fundada por Mate Rimac para melhorar os seus eléctricos, com a Porsche a ser nomeada para representar o grupo e os seus 45%.

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A Rimac é uma pequena empresa, mas todos acreditam no seu potencial tecnológico. Especialmente as marcas que, não controlando a tecnologia dos veículos eléctricos, necessitam urgentemente de colocar no mercado produtos mais competitivos. A Porsche recorreu à Rimac como cliente e pequeno accionista (tal como a Hyundai e a Kia), para conceber o Taycan – acredita-se que o sistema de carga a 800V e a caixa de duas velocidades acoplada ao motor traseiro foram fornecidos pelos croatas –, e continua a necessitar dos serviços de Mate Rimac para tentar criar um Taycan que não seja inferiorizado pelos novos Model S Plaid e o Lucid Air, ambos mais potentes, rápidos e eficientes do que o Porsche Taycan.

Mas o Grupo Volkswagen tinha outras dificuldades para superar, que vinham da Bugatti. Depois da decisão do conglomerado germânico, que consistia em aceitar que o futuro do automóvel seria eléctrico, os alemães ficaram com a obrigação de dotar a Bugatti com os meios para desenvolver um hiperdesportivo eléctrico, capaz de dominar o mercado um pouco à semelhança do que acontece com o Chiron a gasolina. Contudo, não há tecnologia deste nível disponível no grupo e desenvolvê-la a partir de uma folha em branco seria demasiado dispendioso, tanto mais que seria difícil de replicar noutras marcas do grupo.

É oficial: Bugatti junta-se à Rimac, mas é esta que manda

Esta constatação levou à decisão de “oferecer” a Bugatti à Rimac, criando uma joint venture, em que a Rimac, com 55%, domina claramente – a sede é na Croácia e é Mate Rimac o CEO. O Grupo VW retém 45%, sendo esta posição minoritária entregue à Porsche, o maior cliente da Rimac dentro do conglomerado germânico.

Os Chiron, bem como as suas variantes mais potentes, ousadas e caras, continuarão a ser produzidos na sede (e fábrica) da Bugatti, em Molsheim, França, mas o Bugatti eléctrico, que terá necessariamente de oferecer muito mais de 2000 cv, será concebido em Sveta Nedelja, na Croácia. Só depois rumará a França para ser fabricado, à mão, no palácio a que Bugatti chama “Atelier”. Resta esperar para ver o que Mate Rimac, o croata de 32 anos, tem reservado para a prestigiada marca francesa.