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A Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19 reuniu esta quinta-feira e está a debater a vacinação de crianças com a Pfizer/BioNTech, confirmou a Direção-Geral da Saúde (DGS) à Rádio Observador. O encontro entre os membros desta comissão, criada no seio da DGS, já acontece habitualmente às quintas-feiras, mas a luz verde para a vacinação de crianças esta manhã trouxe o assunto para a agenda. No entanto, o parecer que a comissão enviará para a DGS, e ela para o Governo, não ficará pronto em breve.

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) recomendou esta quinta-feira a administração da vacina contra a Covid-19 da Pfizer/BioNTech a crianças entre os cinco e os 11 anos. O Comité de Produtos Medicinais para Uso Humano considerou que os benefícios da vacinação nesta faixa etária superam os riscos, principalmente entre os indivíduos com comorbilidades que aumentam o risco de desenvolver Covid-19 grave perante uma infeção pelo SARS-CoV-2.

A agência aconselhou a toma de duas doses da vacina com um intervalo de três semanas entre elas, mas cada uma numa quantidade três vezes inferior à administrada aos adultos: passa de 30 microgramas para 10 microgramas apenas, sendo esta quantia a suficiente para as crianças desenvolverem os mesmos níveis de anticorpos que as pessoas entre os 16 e os 25 anos. As vacinas serão injetadas na parte superior do braço, tal como já acontece com todos os indivíduos com 12 anos ou mais.

Sem mencionar quaisquer reações adversas, a EMA confirma que os efeitos secundários mais comuns são semelhantes aos verificados nas pessoas a partir dos 12 anos — isto é, dor no local da injeção, cansaço, dores de cabeça, vermelhidão e inchaço no braço onde a vacina foi administrada, dores musculares e arrepios. Estes sintomas costumam ser leves ou moderados e a desaparecer ao fim de alguns dias.

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Na base da decisão da EMA está o estudo apresentado pela Pfizer/BioNTech com pouco mais de 2.000 participantes, em que 1.305 receberam efetivamente a vacina e 663 receberam um placebo. A farmacêutica concluiu que, com apenas três casos de Covid-19 registados entre os vacinados e 16 encontrados em quem recebeu as doses de placebo, o fármaco provou ser 90,7% eficaz da prevenção da Covid-19 sintomática em contexto de ensaio clínico.

No entanto, a EMA também ressalva que, em contexto real, à medida que a vacinação avança na população, a eficácia pode ser bastante inferior ou ligeiramente superior à percentagem calculada no estudo, podendo variar entre os 67,7% e os 98,3%. Garantindo que a vacinação é segura e eficaz, a agência vai continuar a monitorizar os efeitos secundários e as reações adversas nos indivíduos vacinados.

O Comité de Produtos Medicinais para Uso Humano esteve reunido durante a manhã para debater a vacinação contra a Covid-19 das criança entre os cinco e os 11 anos. Fonte oficial da EMA afirmou que a decisão (a haver) só seria anunciada ao longo da tarde, mas a confirmação chegou ao fim da manhã através de um comunicado publicado no site da agência.