Maria Castello Branco, uma das liberais que deixa a comissão executiva na VI Convenção da Iniciativa Liberal e que tem estado afastada do partido nos últimos tempos, principalmente após a polémica do MEL, diz que se mantém fiel à ideia de que “uma política tem de ser independente” e que, para isso, “não pode depender de uma carreira política”.
À distância, e sem estar a participar na reunião magna do partido, Maria Castello Branco assegura, em declarações ao Observador, que continua a “acreditar na liberdade, no progresso e num país mais livre”.
“Desejo a maior sorte ao partido que me acolheu durante anos muito importantes da minha vida.”
Apesar da forma como sai da comissão executiva e do afastamento dos últimos meses, a liberal mantém-se no partido.
Questionada sobre a forma como sai da comissão executiva, Maria Castello Branco considera que João Cotrim Figueiredo não tem de “dar satisfações sobre as escolhas que faz” para este órgão. Maria Castello Branco assegura que “não houve demissão nenhuma antes de o mandato terminar”, mas também refere que “cabe ao atual presidente escolher a nova equipa”.
“Com 6% têm de olhar para nós como um partido que tem de estar no Governo”
Em entrevista ao Observador, quando questionado sobre a saída de Maria Castello Branco, João Cotrim Figueiredo justificou que a ex-dirigente está a estudar no estrangeiro. Todavia, acabou por admitir que foi “sobretudo” pela necessidade de “renovar significativamente a comissão executiva e incluir pessoas que tenham essa noção de ação política ligada a uma estratégia muito clara“. “Tem de haver alinhamento”, frisa.
“Discussões não afetam relações pessoais”
Sobre os argumentos, Maria Castello Branco foi perentória: “Não vou desdizer o líder da Iniciativa Liberal. Mas reitero também o que ele disse na entrevista que deu sobre isso, que é que as discussões que possa haver dentro da comissão executiva não afetam as relações pessoais.”
Maria Castello Branco admite ao Observador que, depois de concluir os estudos no estrangeiro, não fecha portas a regressar a Portugal e a “poder pensar mais a sério numa contribuição política”, mas neste momento vai manter-se focada nos estudos, em Londres. “Há um tempo para tudo. Devo ter sido uma das pessoas mais novas de sempre a integrar a direção de um partido e foi uma experiência incomparavelmente enriquecedora. Cresci muito, e quero acreditar que também poderei ter ajudado a Iniciativa Liberal a crescer”, destaca.
Entra fundador do MEL, sai Maria Castello Branco: IL faz mudanças na comissão executiva
Maria Castello Branco foi uma das jovens que surgiu associada ao partido praticamente desde o início, foi cabeça de lista por Castelo Branco nas legislativas de 2019 e deu a cara pelo manifesto feminista do partido. Chegou a ser uma estrela em ascensão na IL e ficou associada à polémica decisão de se ter recusado a participar na conferência do MEL devido à presença de André Ventura. Desde aí houve um afastamento do partido.
Quem é quem dentro (e fora) da Convenção da Iniciativa Liberal?