A VI Convenção da Iniciativa Liberal será marcada por mudanças na comissão executiva, bem como por muitos liberais que continuam a ser aposta de João Cotrim Figueiredo. O partido fundado em 2017 realiza a reunião magna no Centro de Congressos de Lisboa, este fim de semana, havendo apenas uma moção estratégica: a do líder do partido. A IL mantém um núcleo duro forte, grande parte dele nos primeiros lugares do órgão equivalente à direção, mas há também protagonistas que deram nas vistas nos últimos anos e ganharam um lugar na cúpula do partido.
João Cotrim Figueiredo
João Cotrim Figueiredo é o atual presidente da Iniciativa Liberal, o homem que conseguiu ser eleito por Lisboa nas primeiras legislativas a que o partido se candidatou e quando todas as fichas de apostas estavam colocadas no círculo do Porto — em que se candidatava aquele que na altura era o presidente do partido, Carlos Guimarães Pinto. Com um currículo forte em gestão em diversas áreas, Cotrim acabou por se tornar o homem forte do partido, o principal rosto dos liberais. E é hoje o centro do círculo da IL, dentro e fora do Parlamento.
Aparentemente, João Cotrim Figueiredo é um low profile, alguém que mantém a mesma postura desde que chegou à liderança partido, mas tem uma figura completamente central na vida interna da IL. Como dizem os seus mais próximos partido, Cotrim dispensa os chamados “yes, man“. Até porque, lá dentro, como também repetem, “he’s the man.” Por outras palavras: o líder da IL quer liberais que se cheguem à frente, que apresentem ideias, que façam parte do movimento e é esses que faz questão de levar consigo. Todavia, e apesar dos braços direitos que tem à volta e das decisões colegiais próprias de um partido, não deixa de ser o maior decisor dos liberais, o homem por quem tudo passa.
Rodrigo Saraiva
É um dos fundadores do partido e um dos braços-direitos de João Cotrim Figueiredo. É o liberal que faz (quase) toda a ponte entre a comunicação social e o líder do partido. Mas, mais do que isso, é um dos exemplos a seguir dentro do partido, não fosse um dos principais rostos liberais. Além disso, o consultor de comunicação não é novato na política e teve ligações ao PSD no passado: foi secretário-geral da JSD e vereador da câmara de Lisboa no tempo de Carmona Rodrigues. Por este percurso é também um exemplo para um partido que, querendo rasgar com o tradicional, tem nos seus órgãos membros que têm a experiência de outros partidos e que fazem esse equilíbrio.
Carla Castro
Apesar de não ser um dos nomes mais (re)conhecidos dos liberais, Carla Castro é possivelmente a cara mais vezes vista ao lado de João Cotrim Figueiredo. Ao longo dos últimos dois anos, quando a IL teve apenas um deputado único no Parlamento, Carla Castro foi porta-voz da IL em várias ocasiões, nomeadamente em reuniões do Infarmed, e acompanhou Cotrim Figueiredo para muitas das reuniões oficiais e comissões parlamentares. Sendo uma das figuras fortes do gabinete parlamentar, a gestora Carla Castro já fazia, e vai continuar a fazer, parte da comissão executiva do partido.
Ricardo Pais Oliveira
Se existem duas máquinas dentro da IL — uma mais focada no Parlamento e uma mais preocupada com a organização do partido (apesar de as duas se manterem muito próximas) — Ricardo Pais Oliveira é um dos homens fortes da vida interna liberal. É o vice-presidente que tem a pasta da comunicação e a quem é reconhecida no partido a capacidade de orientar, decidir e executar estratégias. É o ‘rei’ da comunicação naquele que é considerado um dos pontos fortes da Iniciativa Liberal. O partido afirmou-se, precisamente, pela criatividade com que comunica, seja através de cartazes, seja através de mensagens que se tornaram uma marca liberal. E, nesse particular, também há uma rede social (onde Ricardo Pais Oliveira comunica em força) preferida dos liberais: o Twitter.
Bruno Mourão Martins
É um dos fundadores da IL, tesoureiro do partido e assumiu a pasta da coordenação nas primeiras autárquica a que a Iniciativa Liberal foi a votos, tendo sido ainda candidato à câmara de Oeiras. Foi o responsável por expandir o partido pelo território nacional, o que permitiu à IL ir a votos em várias zonas do país com listas próprias. Apesar de o objetivo da vereação em Lisboa ter ficado por cumprir, Mourão Martins é um dos liberais da linha da frente, um dos que põe a máquina a funcionar. João Cotrim Figueiredo não abdicou dele e manteve-o exatamente no mesmo lugar na nova comissão executiva.
Entra fundador do MEL, sai Maria Castello Branco: IL faz mudanças na comissão executiva
Miguel Rangel
Miguel Rangel está na Iniciativa Liberal desde o início, é secretário-geral e, a par de Mourão Martins, um dos homens que faz mexer a máquina interna. Rangel é, ao mesmo tempo um dos grandes apoios de Cotrim Figueiredo e o cimento das estruturas do partido, fazendo a ligação entre os núcleos e os órgãos nacionais do partido. Passam também por ele os eventos do partido, incluindo as convenções e as campanhas eleitorais.
Tiago Mayan Gonçalves
Depois das eleições Presidenciais, Tiago Mayan Gonçalves tornou-se um dos rostos mais visíveis da Iniciativa Liberal. Passou de um perfeito desconhecido a conquistador de 3,22% dos votos nessas eleições, dando a cara por um partido que decidiu ir sozinho. Nas eleições seguintes, voltou a ir a votos e foi eleito presidente da junta de freguesia de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde nas listas do movimento de Rui Moreira. Tiago Mayan Gonçalves é um importante ativo da IL no Porto, sendo também uma das caras da ligação entre o partido e Rui Moreira. Já não fazia parte da comissão executiva no momento em que foi escolhido para as Presidenciais e volta a não estar na equipa desta vez.
Bruno Horta Soares
Foi um “Plano B” em Lisboa, mas há muito que está na linha da frente (interna) do partido. Bruno Horta Soares é um dos fundadores da Iniciativa Liberal, foi o primeiro presidente da IL enquanto associação e disse “presente” quando aceitou o desafio da candidatura a Lisboa depois de um momento negro para o partido — quando afastou o primeiro candidato à capital, Miguel Quintas, dias depois de o ter apresentado. Não faz parte da comissão executiva de João Cotrim Figueiredo, mas é conselheiro nacional e é aí que deve continuar.
Maria Castello-Branco
É uma incógnita que está por resolver dentro da Iniciativa Liberal. Foi uma das jovens que surgiu associada ao partido praticamente desde o início, foi cabeça de lista por Castelo Branco nas legislativas de 2019 e deu a cara pelo manifesto feminista do partido. O nome da liberal ficou associado à polémica decisão de se ter recusado a participar no MEL devido à presença de André Ventura e desde aí houve um afastamento do partido. Em entrevista ao Observador, João Cotrim Figueiredo justificou a saída de Maria Castello-Branco do órgão equivalente à direção com o facto de estar a “estudar no estrangeiro” e, após insistência, referiu que se pretende “renovar significativamente a comissão executiva e incluir pessoas que tenham essa noção de ação política ligada a uma estratégia muito clara”. Certo é que Maria Castello-Branco saiu desse órgão, não vai marcar presença na Convenção (ainda que o pudesse fazer online) e fica por esclarecer que papel terá no partido daqui para a frente.
Carlos Guimarães Pinto
Foi presidente da Iniciativa Liberal e todos acreditavam que seria o primeiro deputado eleito Pelo partido. Contudo, o círculo de Lisboa acabou por levar João Cotrim Figueiredo ao Parlamento e Carlos Guimarães Pinto não foi eleito. Não foi o fim da ligação ao partido — o ex-líder mantém-se como membro e marcará presença online na Convenção deste fim de semana — mas foi o fim de uma era. Depois das eleições e do resultado, Guimarães Pinto anunciou a saída da liderança e justificou que iria dedicar-se à profissão de economista. A presença no partido nunca voltou a ser a que era, mas não deixa de ser um ex-presidente presente e um ativo do partido que não fechou a porta. Cotrim Figueiredo não descartou a entrada do seu antecessor lista de deputados: “Já disse publicamente que é alguém que nos interessava ter nesta campanha eleitoral.”
Paulo Carmona
O currículo de Paulo Carmona é extenso e junta-lhe agora uma presença na comissão executiva liberal. Foi candidato a Sintra, é presidente do FAE (Fórum de Administradores e Gestores de Empresas), vice-presidente do MEL (Movimento Europa e Liberdade), presidente da Associação Portuguesa dos Biocombustíveis e é um dos criadores da Associação Missão Crescimento. Antes das autárquicas tinha dito ao Observador que a presença na política, mais precisamente na IL, era uma espécie de give back — devolver à sociedade aquilo que a sociedade já lhe deu — e agora passa a levar o tema ainda mais a sério, tendo aceitado o lugar no órgão mais importante do partido.
Ana Pedrosa-Augusto
A advogada Ana Pedrosa-Augusto, que tem no currículo o facto de ter sido uma das representantes legais de Madonna, teve a primeira experiência política na Aliança, onde foi vice-presidente do partido, mas com a decadência do partido fundado por Pedro Santana Lopes, procurou outras paragens. O caminho foi uma aproximação à Iniciativa Liberal: primeiro como independente e agora como membro. Tem o número de militante mais atual da nova comissão executiva, mas é certo que está a crescer e a ganhar um lugar no partido: primeiro foi escolhida para ser número dois da candidatura a Lisboa e agora é chamada ao mais importante órgão da Iniciativa Liberal. Com esta aposta, Ana Pedrosa-Augusto tem uma porta aberta para se fazer mostrar nos próximos anos.
Ricardo Valente
É um dos pilares da Iniciativa Liberal no Porto, o único vereador com o carimbo liberal em território nacional e um forte elo de ligação entre o partido e o movimento de Rui Moreira — sendo que esta foi uma das conquistas das eleições autárquicas. É verdade que Ricardo Valente já estava na câmara do Porto quando ainda não fazia parte da IL, mas apoiou Ricardo Arroja nas Europeias e tornou-se um ativo importante do partido. No Porto, é um dos principais responsáveis pela implantação de políticas liberais.