A variante Ómicron parece ser 70% a 80% menos severa do que a variante Delta, sugerem os dados compilados na África do Sul, onde a nova linhagem foi identificada originalmente, e apresentados pelo Centro Africano para o Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) esta quinta-feira.
As declarações de John Nkengasong, diretor do CDC africano, estão em linha com as conclusões de um estudo do Instituto Nacional de Doenças Comunicáveis conhecido esta quarta-feira, que dizia que as pessoas que contraíam a variante Ómicron tinha uma probabilidade 80% inferior de serem internadas com Covid-19; e que mesmo quem é hospitalizado tem 70% menos probabilidade de desenvolveu um quadro clínico grave.
Mas o responsável pede cautela na interpretação dos dados porque as conclusões tiradas neste país não podem ser extrapoladas para todos os outros países.
John Nkengasong repetiu que, ainda assim, “a transmissibilidade é muito alta”: olhando para as últimas quatro semanas, entre 22 de novembro e 19 de dezembro, houve um aumento de 82% dos novos casos e uma subida de 3% no número de mortes, concluiu o diretor.
Mas ninguém vacinado com a Johnson & Johnson morreu com a variante Ómicron, o que é “muito encorajador”, considerou. Em África, após 445,9 milhões de doses entregues no continente (334,7 milhões das quais foram administradas), a taxa de vacinação completa atingiu os 10,8%.
“Em Marrocos há 62% de pessoas totalmente imunizadas, no Egito são 17%, na África do Sul 26% e na Argélia são 22%”, apontou o responsável, notando que “face à meta de 70% no final de 2022”, estão a ser feitos “progressos ao chegar aos 10%”, mas é preciso “uma campanha massiva em todos os países”. Até agora, 22 países africanos reportaram a presença desta variante, o que representa um aumento de seis países desde a semana passada e que mostra que “claramente a Ómicron está a espalhar-se muito depressa”.
Já houve 9,2 milhões de casos reportados em África desde o início da pandemia, que resultaram na morte de 226 mil pessoas, o que representa 4,2% do total mundial.
Desde a última semana, foram registados 253 mil novos casos, o que representa um aumento de 21%, o número de mortes foi de 1.136, o que representa um aumento de 14% desde a semana anterior, quando foram registadas 976 mortes”, apontou o responsável.