Trinta e sete ilustradores responderam ao desafio de completar a frase “Ai, se eu mandasse…”, mote para a VII Mostra para Imaginar o Mundo — PIM, inaugurada este sábado no âmbito do Folio — Festival Literário Internacional de Óbidos.

Se o André Carrilho mandasse “o mundo seria verde”, com ajuda da Carolina Celas que “pintava todas as cidades” desta cor, da Eduarda Lima, que “forrava de plantas cidades inteiras”, da Madalena Matoso, que “plantava árvores nas rotundas. E nas praças,largos, beiras das estradas e onde quer que houvesse espaço disponível”.

Nas paredes da Galeria NovaOgiva, o poder do verbo conjugado com as obras de dezenas de ilustradores dão cor à exposição de ilustração que nesta edição do Folio — Festival Literário Internacional de Óbidos espelha como seria o mundo se cada um dos ilustradores convidados mandasse.

Para Helena Zália “o mundo seria um abraço”, para Nic e Inês “seria em tons pastel” e, às ordens de Sebastião Peixoto até “podíamos roubar nuvens ao céu”.

Se a curadora da exposição e do Folio Ilustra, Mafalda Milhões, mandasse “os políticos eram uns amores e tratavam do país como quem rega flores, e não era só blá,blá,blá”. Mas mais do que mandar, convida os visitantes da mostra a “exercer o poder da leitura, sem limites nem amarras” ao longo dos três andares da galeria de paredes forradas a desenhos e frases imaginados em torno do “Poder”, tema da edição 2022 do festival que decorreem Óbidos, no distrito de Leiria, até ao dia 16.

Entre os autores há os que se mandassem punham “toda a gente a andar às cambalhotas” (Alain Corbel), os que mandavam “toda a gente prá a cama” (Ana Biscaia)” ou os que fariam da preguiça rainha, como Fedra Santos.

Na coleção de “superpoderes” escritos nas paredes cabem ainda os que mandavam que houvesse em todas as casas e escolas mais amor, mais comida, mais livros, mais cultura visual, mais de todo o que pudesse fazer cumprir a ordem de Marta Madureira e fazer deste um mundo em que Carlo Giovanni “destronaria o tempo, dividiria os seus poderes e seria o fim da sua tirania”.

Enquanto nenhum destes ilustradores manda, fica o tempo para ver a mostra que foi este sábado palco para a entrega o Prémio Nacional de Ilustração atribuído pela Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).

O júri decidiu, por unanimidade, atribuir o primeiro prémio a Ana Ventura, pelo conjunto de ilustrações da obra “Mudar”, um livro sem texto, publicado pela editora Pato Lógico.

Foram, ainda, atribuídas Menções Especiais a António Jorge Gonçalves, pelas ilustrações da obra “Desenhar do Escuro”, edição de autor; e a Mariana Rio, pelas ilustrações da obra Diário, com texto de Elena Fernandos Ferro, publicada pela editora Mónimo, do Peru.

Concorreram a esta 26.ª edição do Prémio Nacional de Ilustração, 65 obras da autoria de 56 ilustradores, publicadas por 31 editoras e 13 entidades diversas, e ainda três edições de autor.

O Folio decorre até ao dia 16 em 24 espaços da vila, por onde passam, em 11 dias, cerca de 300 autores de cerca de dez países, no âmbito da programação que integra 16 exposições, 36 concertos, 14 mesas de autores, 62 apresentações e lançamentos de livros, 16 oficinas, ao que se juntam tertúlias, workshops e masterclasses e sessões de cinema, entre muitas outras iniciativas.

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