Bastam alguns segundos a assistir a um qualquer anúncio publicitário de um novo carro para perceber que aquilo que está a ser vendido é muito mais do que um automóvel: é um estilo de vida, um statement, um prolongamento da personalidade de quem se senta atrás do volante. Um carro, paralelamente às questões mais práticas, tem de transmitir emoção. E é a procura por essa emoção que está a levar as grandes marcas de regresso ao desporto automóvel.
Atualmente, a Fórmula 1 conta com a Ferrari, a Mercedes, a Renault e a Honda, sendo que esta última já anunciou que vai terminar a parceria com a Red Bull em 2025 — mas também já abriu a porta a um regresso logo no ano seguinte, 2026, data para a qual estão agendadas alterações ao regulamento da modalidade. Para substituir a fabricante japonesa, a Red Bull já fechou acordo com a Ford, com a Audi (que continua atrás da vitória no Dakar) a entrar também no Campeonato do Mundo ao lado da Alfa Romeo.
Entretanto, na altura em que a Ford também anunciou a parceria com a Red Bull, a General Motors fechou acordo com Michael Andretti — antigo piloto norte-americano — com a intenção de entrar no Mundial de Fórmula 1 em 2026 e ao lado da Andretti Autosport. Provavelmente, com recurso à imagem da Cadillac. Ou seja, em resumo e já daqui a três anos, a categoria rainha do automobilismo pode vir a contar com Ferrari, Mercedes, Renault, Ford, Audi e Cadillac.
O fenómeno, porém, não é exclusivo da Fórmula 1. A Toyota, a Peugeot e a Ferrari estão na categoria Hypercar do World Endurance Championship (WEC), enquanto que Porsche, Cadillac, Lamborghini, Alpine e BMW já entraram na vertente LMHd. Ou seja, todas estas marcas podem competir tanto nas 24 Horas de Le Mans como nas de Daytona. Na Fórmula E, a Jaguar divide a grelha com a Maserati, a DS, a Nissan Mahindra e a Cupra, sendo que a Audi, a BMW e a Mercedes também competiram no Mundial onde está o português António Félix da Costa até há bem pouco tempo.
No Mundial de Ralis, adicionalmente, contam-se a Toyota, a Hyundai e a Ford. E a Lancia, marca historicamente associada ao desporto automóvel, deve regressar às corridas nas próximas temporadas. A corrida das principais marcas e dos grandes fabricantes à competição, contudo, tem explicações. E estão quase todas associadas à busca de retorno imediato com pouco investimento.
Atualmente, muito graças ao boom de popularidade da Fórmula 1 motivado pela série da Netflix e pelo fim da hegemonia da Mercedes e de Lewis Hamilton, o automobilismo goza de um interesse generalizado e praticamente global. Embora tenha sempre movimentado muito dinheiro e um avultados investimentos, a verdade é que o desporto automóvel tem agora muito mais para oferecer: marketing.
MEDIAINFO: Audi selects Sauber as strategic partner for Formula 1 entry
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— Audi Sport (@audisport) October 26, 2022
A sociedade atual e as novas formas de comunicação exigem presença, mensagens e interações constantes — ou seja, criação de conteúdos, como qualquer influencer nas redes sociais. As marcas precisam de fotografias, vídeos, passatempos, proximidade dos fãs e dos adeptos e a tal ideia de um carro é um ponto-chave para um determinado estilo de vida. E, nos dias que correm, a Fórmula 1, o WEC, a Fórmula E ou o Mundial de Ralis são o melhor veículo para o alcançar.
Depois, e não menos importante, existe a questão da tecnologia. As equipas de engenharia do desporto automóvel estão na vanguarda da inovação e os avanços tecnológicos registados em competição no espaço de um ano demoram muitos mais a ser alcançados fora do automobilismo.