Uma investigação transmitida este domingo pelo canal polaco TVN revelou que o Papa João Paulo II terá encoberto um padre acusado de abuso sexual de menores. O caso terá acontecido ainda antes de ter sido nomeado Papa e, de acordo com o jornalista Michal Gutowski, que assina a reportagem, o então cardeal e bispo de Cracóvia Karol Wojtyla teve conhecimento de casos de abuso sexual e de autorizar a transferência de padres de dioceses.
Sem mencionar as acusações de que era alvo, o cardeal Karol Wojtyla terá escrito uma carta de recomendação para um dos padres acusados, sem nunca mencionar os casos de abuso sexual, permitindo que este padre fosse transferido para a Áustria.
O jornalista falou com vítimas, com familiares das vítimas e com antigos trabalhadores da paróquia de Cracóvia e uma das testemunhas, que pediu anonimato, disse que contou ao cardeal Wojtyla os episódios de abuso sexual, cometidos por um padre, em 1973.
“Wojtyla queria ter a certeza de que não se tratava de um erro. Pediu que nenhuma parte fosse informada e disse que iria encarregar-se do assunto”, contou esta testemunha ao jornalista, acrescentando que o futuro Papa lhe pediu silêncio sobre o assunto.
Mas esta não é a primeira vez que surge a suspeita de que o Papa João Paulo II sabia das acusações de abusos. Já em 2020, um relatório do Vaticano com mais de 400 páginas, revelava que a hierarquia da Igreja Católica, incluindo o Papa João Paulo II, falhou na gestão do caso do ex-cardeal norte-americano Theodore McCarrick, um dos casos mais mediáticos de abuso sexual no clero católico da última década.
Este padre foi nomeado cardeal por João Paulo II em 2001 e, já nesta altura, o Papa saberia das acusações de abuso sexual contra McCarrick. O relatório revelou então que João Paulo II sabia das acusações, mas acreditou quando lhe disseram que eram mentira.