Cientistas da Universidade do Minho (UMinho) estão a usar, em laboratório, microrganismos da superfície da uva para combater fungos da própria videira, com vista ao controlo de doenças, como a podridão cinzenta, foi anunciado esta quarta-feira.

Em comunicado, a UMinho refere que o objetivo é a exploração de compostos que as leveduras produzem para o desenho de formulações antimicrobianas, “permitindo reduzir o uso de pesticidas ou fungicidas convencionais que comprometem a sustentabilidade do setor”.

O segredo está na microflora (bactérias, leveduras e fungos) que habita a superfície do bago da uva. Estes microrganismos têm um papel fundamental no processo de fabrico do vinho (fermentação) e a sua diversidade e abundância variam com a fase do amadurecimento, a casta, o clima e as práticas vitícolas, entre outros fatores”, acrescenta.

Segundo o coordenador do projeto, Hernâni Gerós, do Departamento de Biologia da Escola de Ciências da UMinho, a investigação demonstrou que  que crescem na superfície do bago inibem o crescimento de fungos filamentosos que causam doenças.algumas espécies de levedura

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Isto abre perspetivas excelentes para o desenho de estratégias biológicas de controlo de doenças da vinha, minimizando-se o uso de fungicidas nocivos para o ambiente”, notou.

O trabalho está a ser desenvolvido em paralelo com o projeto “GrapeMicrobiota”, que é liderado pela Escola de Ciências da UMinho e que envolve, até 2024, o Cluster da Vinha e do Vinho (ADVID) e as universidades de Saragoça (Espanha) e François-Rabelais de Tours (França).

Cofinanciado com 250 mil euros pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, o “GrapeMicrobiota” explora a caracterização, seleção e valorização de leveduras autóctones de três castas do Douro, designadamente Touriga nacional, Sousão e Viosinho.

Além do seu potencial de biocontrolo de doenças causadas por fungos, estas estirpes identificadas no bago de uva estão a ser utilizadas para produção de vinhos regionais com “elevada tipicidade”, em alternativa às leveduras industriais.

Com a globalização dos métodos de cultivo da videira e de fabrico do vinho, são produzidos hoje vinhos de elevada qualidade em qualquer lado com castas reconhecidas mundialmente, mas produzir vinhos com um perfil característico da região constitui um grande desafio, daí a aposta em castas regionais. Estes vinhos com tipicidade, que refletem as características da região, do povo, dos métodos de cultura ancestrais são cada vez mais apreciados pelos consumidores”, sublinha Hernâni Gerós.