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Esta quinta-feira fica marcada por um ataque ucraniano à principal ponte que liga a região ocupada de Kherson e a península da Crimeia. O aparente ataque à ponte de Chonhar terá sido levado a cabo por mísseis Storm Shadow, avançou Vladimir Saldo, governador separatista russo de Kherson. A estrutura susteve danos, mas não foram registadas vítimas. Kiev admitiu ter executado uma operação militar contra a ponte, descrevendo o ataque como um “golpe contra a logística dos ocupantes”.

Do outro lado, surgem informações de que Moscovo pode estar a considerar um “ataque terrorista” à central nuclear de Zaporíjia. A informação foi revelada pelo próprio Presidente ucraniano que, num vídeo partilhado nas redes sociais, alertou que tal iria provocar a libertação de radiação para a atmosfera. “Eles prepararam tudo para isto”, acusou Volodymyr Zelensky.

O Kremlin veio rapidamente desementir estar a planear um ataque. Através do seu porta-voz, Dmitry Peskov, o regime russo descreveu a acusação de Zelensky como “outra mentira”, e lembrou que os inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica estiveram recentemente na central para uma inspeção, tendo concluído que tudo estava bem.

Volodymyr Zelensky exige desocupação de central nuclear de Zaporíjia

Eis um resumo dos outros acontecimentos que marcam mais um dia na invasão:

O que aconteceu durante a noite?

  • Volodymyr Zelensky voltou a exigir a desocupação total da central nuclear de Zaporíjia. O Presidente ucraniano disse que aqueles que não fizerem tudo o que estiver ao seu alcance para contribuir para este objetivo “estão a contribuir para o mal russo”;
  • A contraofensiva da Ucrânia é um processo “gradual” que se encontra numa fase de reconhecimento das linhas defensivas russas e que ganhará progressivamente intensidade, disse hoje Mikhail Podoliak, conselheiro do gabinete presidencial ucraniano;
  • A primeira-dama ucraniana acredita que demorará algum tempo até que a animosidade entre russos e ucranianos desapareça. Em entrevista ao El Mundo, Olena Zelenska mostrou-se confiante numa vitória ucraniana, mas admitiu que o fim do conflito não vai significar o fim do ódio entre os dois país, que poderá levar décadas a sarar.

O que aconteceu durante a tarde?

  • O primeiro-ministro ucraniano afirmou hoje que a contraofensiva ucraniana contra a invasão russa vai “levar tempo”. No entanto, Dmytro Kuleba disse estar “otimista” quanto ao seu sucesso;
  • Ainda que desvalorizando as chances de sucesso da Ucrânia, Vladimir Putin apelou a uma “vigilância contínua”, defendendo que o potencial dos ataques ucranianos “não está esgotado”;
  • Depois de ontem ter estado com o Papa Francisco, o Presidente brasileiro, Lula da Silva, disse que tem de haver negociação entre Ucrânia e Rússia para acabar com a guerra, sustentando que “um acordo de paz não é uma rendição”, e que “os dois envolvidos têm de ganhar alguma coisa”;
  • As Nações Unidas adicionaram as forças militares russas à sua “lista negra” devido aos indícios de crimes de guerra cometidos na Ucrânia, em particular o assassínio de crianças;
  • O Reino Unido revelou hoje que mais de 60 mil milhões de euros em donativos internacionais para ajudar Kiev foram garantidos durante a Conferência de Recuperação da Ucrânia, que terminou hoje;
  • A União Europeia vai desembolsar esta quinta-feira mais 1,5 mil milhões de euros em assistência macrofinanceira para a Ucrânia;
  • Uma alta responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano disse hoje que Kiev acredita, “com 99,9% de certeza”, que a Rússia deixará cair o acordo dos cereais em julho. O chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, esteve ontem à noite com o seu homólogo turco, Hakan Fidan, para discutir a iniciativa;

“Tenho 20 anos de experiência no Call of Duty, contratam-me”? Grupo Wagner recruta jogadores de videojogos para pilotar drones

  • O Grupo Wagner está a recrutar jogadores de videojogos para controlarem os seus drones. Os anúncios referem que o candidato ideal deve ter entre 21 e 35 anos, estar em boa forma física, e deve estar habituado a “jogar sentados durante horas a fio”;
  • Os ucranianos já estão a preparar-se para eventuais bombardeamentos do próximo inverno e, por isso, começaram a reparar os sistemas elétricos que foram destruídos durante os últimos meses;
    Volodymyr Zelensky assinou uma lei proibindo a importação de livros da Rússia. “Acredito que esta lei é correta”, escreveu o Presidente ucraniano no Telegram.

O que está a atrasar a contraofensiva ucraniana?

O que aconteceu durante a manhã?

  • Três pessoas morreram durante a madrugada de hoje vítimas de uma explosão num prédio residencial em Kiev;
  • Denys Shmyhal também se mostrou confiante numa adesão à União Europeia (UE) e à NATO em menos de 10 anos. Kiev prevê que a economia cresça até 10% depois do fim da guerra com a Rússia se forem criadas condições para o investimento privado;
  • O exército ucraniano está a conseguir controlar as margens do rio Dnipro. Segundo a CNN, o sucesso dos militares de Kiev acontece graças a uma embarcação enviada pelos Estados Unidos, cujas capacidades de manobras e de velocidade estão a permitir escapar aos ataques russos;
  • O chefe de gabinete de Volodymyr Zelensky defendeu que “a adesão da Ucrânia à NATO poderá evitar uma grande guerra na Europa”;
  • Os Estados Unidos enviaram um pedido à Rússia para que Evan Gershkovich, jornalista detido em território russo desde março, possa receber visitas consulares. Gershkovich compareceu hoje no tribunal de Moscovo para recorrer da prorrogação da sua detenção, mas o pedido foi rejeitado;
  • O chanceler alemão Olaf Scholz apelou ao reforço da ajuda dos países da Aliança Atlântica à Ucrânia e exortou o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a ratificar a adesão da Suécia à NATO.

Forças ucranianas atacam ponte que liga região de Kherson à Crimeia ocupada pela Rússia