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Francisco, o filho pródigo que voltou a casa para afogar as mágoas do pai (a crónica do V. Guimarães-FC Porto)

Este artigo tem mais de 2 anos

Num jogo em que poderia ter ido para o intervalo a ser goleado, FC Porto conseguiu vencer o Vitória com uma reviravolta e mais uma exibição positiva de Francisco Conceição, que marcou e assistiu (1-2)

O jovem avançado assistiu para o primeiro golo dos dragões e marcou o segundo
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▲O jovem avançado assistiu para o primeiro golo dos dragões e marcou o segundo

EPA

▲O jovem avançado assistiu para o primeiro golo dos dragões e marcou o segundo

EPA

Ao contrário do que muitas vezes acontece, principalmente com as equipas portuguesas, o FC Porto foi à Liga dos Campeões afogar as mágoas do Campeonato. Depois da derrota com o Estoril no Dragão, que deixou os dragões a seis pontos da liderança do Sporting e a três do segundo lugar do Benfica, a equipa de Sérgio Conceição aproveitou a vitória contra o Antuérpia para deixar o apuramento para os oitavos bem encaminhado e recuperar entusiasmo e motivação.

Até porque este sábado, poucos dias depois e na antecâmara de um dérbi entre leões e encarnados que pode trazer boas notícias, o FC Porto estava obrigado a realizar uma das deslocações mais complexas da Primeira Liga: a ida ao D. Afonso Henriques para defrontar o V. Guimarães. A escassos três pontos dos dragões e também vindos de uma derrota, contra o Moreirense, os vimaranenses pretendiam dificultar a vida a Sérgio Conceição e companhia — e o treinador tinha noção disso.

Ficha de jogo

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V. Guimarães-FC Porto, 1-2

11.ª jornada da Primeira Liga

Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães

Árbitro: Nuno Almeida (AF Algarve)

V. Guimarães: Bruno Varela, Miguel Maga (Zé Carlos, 84′), Jorge Fernandes, Borevkovic, Tomás Ribeiro, Ricardo Mangas, Dani Silva (Nuno Santos, 89′), Tomás Händel, João Mendes (Adrián Butzke, 75′), Jota Silva, André Silva (Nélson da Luz, 89′)

Suplentes não utilizados: Charles, Manu Silva, Alisson Safira, Mamadou Tounkara, Afonso Freitas

Treinador: Álvaro Pacheco

FC Porto: Diogo Costa, Pepe (Fábio Cardoso, 67′), David Carmo, João Mário, Zaidu (Galeno, 55′), Stephen Eustáquio, André Franco (Taremi, 55′), Alan Varela, Francisco Conceição (Jorge Sánchez, 81′), Pepê, Evanilson (Grujic, 81′)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Fran Navarro, Romário Baró, Gonçalo Borges

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: André Silva (17′), Zaidu (39′), Francisco Conceição (59′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Francisco Conceição (26′), a Dani Silva (27′), a André Silva (72′), a Galeno (85′), a Jorge Sánchez (90′), a Jota Silva (90+5′)

“Não podemos perder o foco. Conheço bem o ambiente apaixonado dos adeptos do Vitória, tive o prazer de lá trabalhar. Mas o que conta realmente são os intervenientes diretos no jogo e neste caso olhámos para o Vitória ao pormenor. Posso dizer que o Álvaro Pacheco vive a 20 quilómetros do estádio, até isso fui ver. Não é fácil para os adversários jogar no D. Afonso Henriques. Teremos de ter a humildade de perceber que vamos defrontar uma equipa difícil e essa é a base para se começar a ganhar o jogo”, atirou o técnico na antevisão da partida.

Neste contexto, Sérgio Conceição surpreendia e deixava Taremi no banco, apostando numa espécie de 4x3x3 com Francisco Conceição e Pepê no apoio a Evanilson e André Franco, Alan Varela e Eustáquio no meio-campo. A grande novidade era Galeno, que voltava às opções e era suplente, sendo que Álvaro Pacheco lançava os crónicos André Silva e Jota Silva no ataque e não podia contar com os lesionados André André, Villanueva e Bruno Gaspar.

O primeiro lance de perigo do jogo pertenceu ao V. Guimarães, com Jota Silva a rematar por cima ainda de muito longe (3′). O FC Porto ainda respondeu com uma enorme oportunidade, onde Evanilson surgiu na cara de Bruno Varela e permitiu a defesa do guarda-redes cabo-verdiano (5′), mas depressa se percebeu que os vimaranenses estavam por cima e tinham uma facilidade alarmante na hora de chegar à baliza contrária.

À passagem do quarto de hora inicial, João Mário intercetou com a mão um cruzamento vindo da direita para a grande área do FC Porto e Nuno Almeida não teve dúvidas na hora de assinalar grande penalidade: André Silva ainda permitiu a defesa de Diogo Costa na conversão, mas não falhou na recarga e abriu o marcador (17′). Os dragões afundaram ainda mais depois do golo sofrido e abriram a porta a cerca de 20 minutos de enorme sofrimento, com o V. Guimarães a pressionar muito alto e praticamente a partir da saída de Diogo Costa.

A equipa de Sérgio Conceição deixava muito espaço nas costas da defesa, com os vimaranenses a aproveitarem a profundidade para lançar a velocidade de Jota Silva, e parecia ter perdido a capacidade de recuperar bolas no meio-campo adversário. O FC Porto parecia pouco habituado ao 4x3x3, com Zaidu a ser o arquétipo da exibição apagada de todo o conjunto, e o V. Guimarães acumulou oportunidades para aumentar a vantagem: Diogo Costa evitou o golo de Jota Silva em duas ocasiões (18′ e 22′), evitou o golo de André Silva (34′) e evitou o golo de Ricardo Mangas (38′), tornando-se o verdadeiro herói de uma equipa que podia estar a ser goleada ao intervalo.

O futebol, porém, raramente corresponde ao mais óbvio. A cerca de cinco minutos do fim da primeira parte, Francisco Conceição cruzou na direita e encontrou Zaidu ao segundo poste, com o lateral a aparecer nas costas de Miguel Maga a cabecear para empatar o jogo e redimir-se de uma prestação até aí constrangedora (39′). O FC Porto cresceu depois do golo, empurrando o V. Guimarães para o próprio meio-campo e não voltando a permitir ocasiões de perigo, e o jogo chegou empatado ao intervalo — um resultado francamente lisonjeiro para os dragões.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do V. Guimarães-FC Porto:]

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo, apesar de Jorge Sánchez ter estado a aquecer durante praticamente toda a primeira parte, e o jogo voltou algo morno. O V. Guimarães não conseguia reproduzir a superioridade demonstrada no primeiro tempo, até porque o FC Porto estava mais organizado e também não oferecia tanto espaço nas costas da defesa, e a partida era mais disputada no meio-campo e com menos aproximações às balizas.

Sérgio Conceição mexeu ainda antes da hora de jogo, tirando um fisicamente limitado Zaidu e também André Franco para lançar Galeno e Taremi, com Pepê a recuar para a esquerda da defesa. O golo da reviravolta surgiu pouco depois: Tomás Ribeiro errou na saída de bola, Evanilson recuperou e abriu em Francisco Conceição na direita, que puxou para dentro na área e atirou em jeito para bater Bruno Varela e dar vantagem aos dragões (59′).

O V. Guimarães procurou responder por intermédio de Jota Silva, que passou por vários adversários até atirar para mais uma defesa de Diogo Costa (63′), e Sérgio Conceição teve de voltar a mexer para trocar um lesionado Pepe por Fábio Cardoso. Álvaro Pacheco só fez substituições à beira do último quarto de hora, lançando Adrián Butzke, e o jogo foi decorrendo sem grandes oportunidades de golo e com o FC Porto a ter as ocorrências aparentemente controladas.

Já pouco aconteceu até ao fim, com Bruno Varela a evitar ainda o golo de Galeno (77′) e Diogo Costa a fazer o mesmo com Dani Silva (78′), e o FC Porto acabou mesmo por vencer o V. Guimarães e garantir que vai encurtar distâncias para um dos adversários diretos ou até para os dois após o dérbi da Luz deste domingo. Num dia em que os dragões poderiam ter ido para o intervalo a ser goleados, Francisco Conceição marcou e assistiu e mostrou novamente que é o verdadeiro filho pródigo que voltou a casa para afogar as mágoas do pai.

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