A Câmara Municipal de Lisboa vai lançar “entre janeiro e fevereiro” uma chamada para que “estruturas culturais” da cidade possam integrar a rede Um Teatro em Cada Bairro, um dos compromissos políticos da coligação Novos Tempos (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança) na campanha eleitoral das autárquicas de 2021 que consiste na criação de espaços multiculturais em cada bairro lisboeta.
Ao Observador, o vereador da Cultura da CML, Diogo Moura (CDS-PP), adianta que há “estruturas que já sinalizaram a sua vontade de participar”, mas que a call servirá para reunir “espaços que neste modelo possam avançar em 2024”.
A Câmara de Lisboa tem outros dois equipamentos em mira, que previra abrir ainda este ano, mas que, afinal, só deverão inaugurar em 2025, uma vez que as obras de reabilitação ainda não começaram. É o caso do local onde funciona a ADF –Academia Dramática Familiar, em Belém. Explica o vereador que o projeto está ainda “em fase de estudo” para “perceber o real custo”, que se prevê “elevado” pois há “necessidades técnicas que são muitas”, nomeadamente o “reforço da estrutura”. Até à data, foi colocado apenas um telhado provisório, especifica o vereador. O outro projeto em marcha é o antigo lavadouro da Ajuda, para o qual a CML já tem “uma ideia base definida”, e que “vai ser concretizado por uma delegação de competências com a junta de freguesia da Ajuda”. “Neste momento a junta de freguesia está fechar os projetos de especialidade para nós podermos aprová-los na CML e lançar a empreitada”, adianta.
Sabendo que nenhum deles começou qualquer empreitada, Diogo Moura não considera ambicioso o prazo temporal de dois anos: “Parece-me que pode acontecer. Principalmente [o espaço] na Ajuda”.
Um ano depois, sete mil pessoas passaram pelo espaço Avenidas
O Avenidas, no número 10A da Rua Alberto de Sousa, no Bairro de Santos ao Rego, foi o espaço inaugural do programa Um Teatro em Cada Bairro. O primeiro aniversário, este domingo, 17 de dezembro, celebra-se com uma programação gratuita que inclui, entre outras atividades, a exibição do documentário Um ano de Avenidas: que impactos na comunidade?, de Frank Saalfeld (às 15h30), o concerto And all that Jazz, com Jaya Girão e Francisco Sassetti (às 16h), ou a inauguração da exposição fotográfica Retratos Contados de Ruy de Carvalho.
O Espaço Avenidas, inaugurado em dezembro de 2022
Para o vereador da Cultura da CML, o balanço deste primeiro ano é “extremamente positivo”. “Conseguimos alavancar perto de 150 iniciativas das quais participar cerca de 7 mil pessoas”, adianta ao Observador, que confirmou que nestes números se incluem também ensaios e atividades de associações locais. “Isto mostra bem a importância e necessidade destes espaços”, considera, destacando “o papel de intervenção social e comunitária que estes espaços entretêm no seu objetivo e que acabaram por cumprir”.
Atualmente, a rede conta com um total de seis espaços: o Avenidas, no bairro do Rego, o Cineteatro Turim, em Benfica, a Casa do Jardim da Estrela, na Estrela, a Quinta Alegre, em Santa Clara, a Boutique da Cultura, em Carnide, e o Espaço Coruchéus, em Alvalade.
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Em setembro, o programa Um Teatro em Cada Bairro foi aprovado por unanimidade na Câmara Municipal de Lisboa como uma adenda proposta pela vereadora do BE, Beatriz Gomes Dias, para que se permitisse “uma oferta diversificada de propostas culturais, construída com o envolvimento e a participação das comunidades e dos agentes locais”.
Atualmente, há três modelos de gestão de equipamentos possíveis para o espaços que integram a iniciativa: diretamente pelo município, como acontece no Avenidas; um regime misto com a junta de freguesia, como no caso do Turim; ou um modelo “em que a Câmara delega uma entidade para ser a estrutura residente e para fazer a programação”, como se verifica na Boutique da Cultura. Questionado pelo Observador sobre as conclusões retiradas da aplicação de cada um destes modelos, Diogo Moura recusa fazer comparações justificando que se tratam de seis equipamentos, em “territórios distintos” e com “desafios de integração social diferentes”. Além disso, sublinha, “num ano não dá para ter essa avaliação”.