O plano do governo do Reino Unido de enviar alguns requerentes de asilo para o Ruanda pode custar cerca de 630 milhões de dólares (cerca de 581 milhões de euros), mais centenas de milhares de euros por cada pessoa deportada. A lei tem gerado controvérsia nos últimos tempos.
Reino Unido assina tratado com Ruanda para deportar imigrantes ilegais
O relatório do Gabinete Nacional de Auditoria, que foi conhecido esta sexta-feira, forneceu a estimativa de custos mais abrangente até ao momento e contraria o compromisso de 366 milhões de dólares (cerca de 338 milhões de euros) avançado pelo governo britânico, indica o The Telegraph.
A auditoria revela que cerca de 117 milhões de euros seriam gastos na parceria até 2026 e cerca de 140 milhões de euros iriam para o fundo depois de 300 migrantes serem enviados para o Ruanda. Para além desses números, a viagem de cada migrante custa cerca de 13 mil euros e quase 176 mil euros seriam gastos ao longo de cinco anos em custos processuais e de despesas.
“Estes números revelam a conta exorbitante que o contribuinte terá de pagar ao governo ruandês por um esquema impraticável e desumano que não impedirá as pessoas que procuram proteção nas nossas costas”, afirmou Enver Solomon, chefe executivo do Conselho de Refugiados.
Lei para deportar imigrantes para o Ruanda sobrevive a revolta de conservadores britânicos
Para Yvette Cooper, membro do Partido Trabalhista no parlamento, “este relatório revela o escândalo nacional que os conservadores têm tentado esconder” e evidencia “os custos da fracassada farsa do Ruanda”.
Apesar de o governo do Reino Unido já ter pago cerca de 256 milhões de euros ao governo do Ruanda, nenhum requerente de asilo foi deportado para aquele país, já que a lei foi bloqueada pelos tribunais. Nesse sentido, o ministério da Administração Interna britânico garantiu que vai começar os voos assim que a lei de segurança do Ruanda seja aprovada e entre em vigor.