A propósito da apresentação do Orçamento do Estado para o próximo ano, cuja aprovação é ainda uma incógnita, Eduardo Catroga, antigo ministro das Finanças, criticou a posição do PS em relação às linhas vermelhas impostas para dar luz verde. Entende que o impasse que se criou nas últimas semanas nasceu de “razões ideológicas, pura e simplesmente” e critica a forma como os orçamentos são pensados e negociados: “Os orçamentos transformam-se em tática política e aqui o que eu vejo são variáveis ideológicas”.
“O Orçamento é um orçamento que o PS influenciou pelo passado. No no fundo, esteve no governo 20 anos nos últimos 28 anos, portanto, criou um stock de despesa pública permanente. E ainda por cima deixou um legado: houve que apagar fogos com os professores, com os médicos, com os enfermeiros, etc”, defendeu o antigo ministro durante o programa Explicador da Rádio Observador.
Eduardo Catroga considera que “não há Orçamento da AD”, sobretudo quando existe “um stock da despesas pública que é fixa e permanente”, deixada, no entender de Catroga, pelos sucessivos governos socialistas. “Qual é a margem orçamental de qualquer governo? Penauts. 2% do total da despesa? 1% do PIB?”, questionou.
Poucas horas depois da apresentação do documento do Orçamento do Estado para 2025, que será votado no último dia deste mês, Eduardo Catroga criticou ainda o PS por definir linhas vermelhas pouco claras e desconfia que esta “é a estratégia de alguém que não quer chegar a acordo”.
Para já, fica a dúvida sobre o que fará o PS. “Qual é o PS que vai vencer? É o PS de Pedro Nuno Santos e dos seus jovens turcos mais à esquerda ou é o PS dos tradicionalistas que defendem um PS de equilíbrio e que no fundo não veem que haja razões profundas?”, questiona o ex-ministro.
Mas além do PS, o ex-ministro do PSD não poupou as críticas à generalidade das negociações dos orçamentos discutidos agora e nos últimos anos: “O Orçamento hoje não é racional, a política fiscal é uma política cheia de remendos, de corporações à esquerda, à direita e ao centro. A luta política e ideológica hoje domina, não pensando no bem comum e no interesse geral do país“.