Era o melhor em termos estatísticos do Sporting no final da primeira parte, terminou o encontro na Bélgica frente ao Club Brugge como um dos melhores a par de Hjulmand, mesmo sem marcar nunca se escondeu do jogo e esteve no lance que originou o único golo leonino logo no terceiro minuto fazendo o passe para Maxi Araújo atirar ao poste antes da recarga de Geny Catamo na pequena área. No entanto, nem mesmo essa espécie de “reaparecimento parcial” de Viktor Gyökeres serviu para travar a série de derrotas consecutivas do conjunto verde e branco, que apenas pela sexta vez na sua história sofreu quatro desaires seguidos.

Se não procuram a sorte, podem queixar-se do azar? (a crónica do Club Brugge-Sporting)

No entanto, havia algo mais para ensombrar uma noite que já era “negra”. Após uma reação que não tinha caído bem aos jogadores na chegada de Moreira de Cónegos, ao terem de ver um cordão policial montado junto à garagem a Alvalade para impedir que alguns adeptos contestatários se chegassem aos carros dos jogadores quando rumavam às suas casas, o filme piorou na Bélgica: quando se aproximaram da zona onde estavam concentrados quase todos os leões que marcaram presença no Jan Breydelstadion, ouviram assobios e insultos antes do arremesso de uma tocha que caiu no relvado perto dos jogadores da frente.

Gyökeres era um dos elementos na frente, ficando a olhar com ar de estupefação para o que tinha acontecido antes de ver um bombeiro fazer sinal para deixar a zona e ter o capitão Hjulmand a dar ordem para que todos recolhessem ao balneário. No final, o sueco não passou ao lado do sucedido. “Fomos lá e quisemos agradecer-lhes por terem vindo cá apoiarem-nos mas é triste atirarem coisas destas após tentares ganhar todos os jogos… Vamos para o campo e é tudo o que tentamos fazer. Não tem sido um período fácil para nós e entendemos que também é duro para eles mas seria bem mais fácil se superássemos esta fase juntos”, referiu o avançado sueco em declarações ao Viaplay após a derrota com o Club Brugge na Bélgica.

Depois de um arranque de época fulgurante, que contribuiu para que o sueco chegasse aos 58 golos no ano civil de 2024 e 32 só na temporada de 2024/25, o rendimento de Gyökeres caiu como o da equipa desde que João Pereira assumiu o comando técnico da equipa, com apenas dois golos em cinco encontros e ambos de grande penalidade (Amarante e Moreirense, ambas após faltas que sofreu na área). Contas feitas, o sueco, que é nesta fase o melhor marcador do ano civil com 60 golos, fez o último golo de bola corrida na goleada dos leões em casa com o Manchester City, quando marcou o então 1-1… há quase cinco semanas.

Também Franco Israel, que regressou na Bélgica à titularidade após doença, pediu para que todos se mantivessem juntos nesta fase com resultados menos conseguidos, defendendo também a liderança do novo treinador, João Pereira. “Isto não é normal num clube como o Sporting. Estamos numa fase em que nos acontece tudo e em que cada bola que vai à baliza é golo. Agora temos é de ganhar,  é esta a única maneira de dar a volta é vencer. Precisamos de derrotar o Boavista. Treinador? Estamos a 100% com ele pois a forma de trabalhar não mudou muito. Nós é que jogamos, a responsabilidade é nossa… Temos de ganhar o próximo jogo de qualquer maneira. Adeptos? O futebol é assim nos momentos complicados, é normal que isto possa acontecer num clube tão grande”, comentou o guarda-redes uruguaio à SportTV.

“Acredito que neste jogo a vitória esteve ao nosso alcance e agora só podemos mudar o chip e pensar no Campeonato. Precisamos de recompor-nos e focar-nos no Campeonato. Estamos numa má fase em que tudo nos acontece. Temos é de começar a ganhar, neste jogo sentimos que podíamos fazê-lo, mas como disse é uma fase complicada. Temos de focar-nos no próximo jogo”, referiu também Geny Catamo, marcador do único golo dos leões na Bélgica depois de um erro crasso num lançamento frente ao Moreirense.