Depois da passagem do ciclone tropical Chido pelo arquipélago francês de Mayotte e por Moçambique, este fim de semana, as equipas de regaste começaram a procurar vítimas e sobreviventes entre o território destruído. Neste momento, registaram-se 22 vítimas mortais nas ilhas de Mayotte, mas o número total, adiantam as autoridades, pode chegar aos milhares. Em Moçambique há registo de 34 vítimas, segundo divulgou o Gabinete das Nações Unidas para Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA).

De acordo com a agência Reuters, várias equipas de emergência chegaram esta segunda-feira às ilhas de Mayotte para ajudar nas buscas, tendo o porta-voz da segurança civil francês sublinhado que “os próximos minutos e horas são muito importantes”. “A prioridade esta terça-feira é água e comida”, sublinhou esta manhã Ambdilwahedou Soumaila, presidente da câmara de Mamoudzou, a capital de Mayotte. Espera-se que cerca de 20 toneladas de alimentos e água comecem a ser entregues esta terça-feira na ilha.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, disse que vai visitar Mayotte “nos próximos dias” e anunciou que vai declarar luto nacional. “Diante desta tragédia, que perturba cada um de nós, declararei luto nacional”, escreveu o líder francês na rede social X, adiantando que vai viajar para o arquipélago francês para “dar apoio” aos “concidadãos, funcionários públicos e serviços de emergência que foram mobilizados”. “É uma questão de fazer face às emergências e de começar a preparar o futuro.”

Este ciclone, com ventos de 200 quilómetros por hora, provocou a queda de árvores — muitas foram mesmo arrancadas —, destruiu casas, arrastou carros e as autoridades indicaram que este é o pior ciclone em quase um século. A dimensão dos estragos provocados ainda não é conhecida e o balanço vai sendo feito à medida que as equipas de emergência vão chegando aos locais afetados.

União Europeia ativa sistema Copernicus para ajudar Mayotte e Moçambique com ciclone Chido

No entanto, adianta o jornal The Guardian, a falta de eletricidade, por exemplo, poderá ser uma das dificuldades que as equipas de resgates terão de enfrentar nos próximos dias. A falta de água potável e os constrangimentos nos aeroportos também deverão dificultar os trabalhos no arquipélago no Oceano Índico entre Madagascar e a costa de Moçambique.

Com áreas ainda inacessíveis para as autoridades, o ministro da Administração Interna de França, Bruno Retailleau, disse que serão necessários vários dias para determinar a extensão total dos danos e para calcular o número de vítimas mortais, que teme que seja “elevado, demasiado elevado”. “Não posso dar-vos números, pelo menos para já. É evidente que a ilha está totalmente devastada”, disse o governante francês em conferência de imprensa, segundo a agência Reuters.

O ciclone Chido, depois de ter passado pelo arquipélago Mayotte, chegou ao norte de Moçambique e atingiu a costa a cerca de 40 quilómetros a sul da cidade de Pemba, tendo deixado também um rasto de destruição. A gravidade da situação resultou ainda na ativação do sistema Copernicus, responsável pela monitorização da Terra, para acompanhar a situação no arquipélago e em Moçambique.

O objetivo é que as autoridades utilizem imagens em tempo real e dados de alta precisão e que possam monitorizar as áreas afetadas por catástrofes naturais e coordenem as equipas de emergência para responder da forma mais rápida e eficiente possível.