Depois da passagem do ciclone tropical Chido pelo arquipélago francês de Mayotte e por Moçambique, este fim de semana, as equipas de regaste começaram a procurar vítimas e sobreviventes entre o território destruído. Neste momento, registaram-se 22 vítimas mortais nas ilhas de Mayotte, mas o número total, adiantam as autoridades, pode chegar aos milhares. Em Moçambique há registo de 34 vítimas, segundo divulgou o Gabinete das Nações Unidas para Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA).
De acordo com a agência Reuters, várias equipas de emergência chegaram esta segunda-feira às ilhas de Mayotte para ajudar nas buscas, tendo o porta-voz da segurança civil francês sublinhado que “os próximos minutos e horas são muito importantes”. “A prioridade esta terça-feira é água e comida”, sublinhou esta manhã Ambdilwahedou Soumaila, presidente da câmara de Mamoudzou, a capital de Mayotte. Espera-se que cerca de 20 toneladas de alimentos e água comecem a ser entregues esta terça-feira na ilha.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, disse que vai visitar Mayotte “nos próximos dias” e anunciou que vai declarar luto nacional. “Diante desta tragédia, que perturba cada um de nós, declararei luto nacional”, escreveu o líder francês na rede social X, adiantando que vai viajar para o arquipélago francês para “dar apoio” aos “concidadãos, funcionários públicos e serviços de emergência que foram mobilizados”. “É uma questão de fazer face às emergências e de começar a preparar o futuro.”
Ce soir, à l’occasion de la réunion de la cellule interministérielle de crise, je me suis assuré que l’ensemble des mesures d’urgence pour venir en aide aux habitants de Mayotte soient prises et que la continuité de l’État puisse être assurée.
Je me rendrai à Mayotte…
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) December 16, 2024
Este ciclone, com ventos de 200 quilómetros por hora, provocou a queda de árvores — muitas foram mesmo arrancadas —, destruiu casas, arrastou carros e as autoridades indicaram que este é o pior ciclone em quase um século. A dimensão dos estragos provocados ainda não é conhecida e o balanço vai sendo feito à medida que as equipas de emergência vão chegando aos locais afetados.
União Europeia ativa sistema Copernicus para ajudar Mayotte e Moçambique com ciclone Chido
No entanto, adianta o jornal The Guardian, a falta de eletricidade, por exemplo, poderá ser uma das dificuldades que as equipas de resgates terão de enfrentar nos próximos dias. A falta de água potável e os constrangimentos nos aeroportos também deverão dificultar os trabalhos no arquipélago no Oceano Índico entre Madagascar e a costa de Moçambique.
Com áreas ainda inacessíveis para as autoridades, o ministro da Administração Interna de França, Bruno Retailleau, disse que serão necessários vários dias para determinar a extensão total dos danos e para calcular o número de vítimas mortais, que teme que seja “elevado, demasiado elevado”. “Não posso dar-vos números, pelo menos para já. É evidente que a ilha está totalmente devastada”, disse o governante francês em conferência de imprensa, segundo a agência Reuters.
O ciclone Chido, depois de ter passado pelo arquipélago Mayotte, chegou ao norte de Moçambique e atingiu a costa a cerca de 40 quilómetros a sul da cidade de Pemba, tendo deixado também um rasto de destruição. A gravidade da situação resultou ainda na ativação do sistema Copernicus, responsável pela monitorização da Terra, para acompanhar a situação no arquipélago e em Moçambique.
O objetivo é que as autoridades utilizem imagens em tempo real e dados de alta precisão e que possam monitorizar as áreas afetadas por catástrofes naturais e coordenem as equipas de emergência para responder da forma mais rápida e eficiente possível.