Desempate entre Benfica e Sporting nas grandes penalidades, a confirmação do adágio português de que não há duas sem três: depois da vitória nos oitavos da Taça da Portugal de 2005 (7-6) e na final da Taça da Liga de 2009, os encarnados voltaram a levar a melhor sobre os leões nas grandes penalidades e conquistaram a oitava Taça da Liga da história em Leiria após baterem os rivais por 7-6, quebrando também um jejum de nove anos sem ganhar a competição e chegando aos mesmos 86 troféus do FC Porto no futebol.

Trubin foi o juízo de um treinador que nunca quis confiar na sorte (a crónica da final da Taça da Liga)

Olhando para aquilo que foi o encontro, houve outro dado “novo” no dérbi: oito jogos depois, o Benfica conseguiu marcar primeiro, algo que não acontecia desde 2021/22 quando Darwin Núñez adiantou as águias (esta noite em Leiria foi Schjelderup a fazer o primeiro golo antes do empate de penálti por Gyökeres ainda antes do intervalo). Entre a festa depois da defesa decisiva de Trubin à tentativa de Trincão, a festa foi grande e com apenas dois jogadores a repetirem o sucesso na Taça da Liga: Di María e Renato Sanches.

“Foi a minha primeira Taça da Liga e estou contente pelo troféu. Foi um jogo muito bom e estou muito satisfeito por ganhar o prémio individual mas isso só foi possível com a ajuda de toda a equipa. Não dominámos o jogo todo mas quando dominámos fomos compactos e isso acabou por ser crucial para a nossa vitória. É um momento muito bom ainda mais para mim que estou no Benfica, que é o clube do meu coração… Não há melhor sítio para estar. Desforra? Vejo derrotas com momentos de aprendizagem que nos ajudam a crescer. Conseguimos mostrar o nosso trabalho com personalidade. O nosso clube vive de títulos. Estamos gratos e vamos continuar a pensar jogo a jogo mas esta conquista é um impulso para o resto da época. Vamos manter os pés bem assentes no chão”, comentou o MVP da final, Florentino Luís.

Em termos mais institucionais, Rui Costa conquistou aquele que foi terceiro título como presidente depois do Campeonato de 2022/23 e da Supertaça de 2023 com Roger Schmidt, o mesmo número de troféus do que Bruno Lage que, na primeira passagem pela Luz como técnico principal, ganhou também um Campeonato em 2018/19 e a Supertaça de 2019. Em paralelo, Lage realizou o 100.º jogo no comando do Benfica, fazendo a festa mesmo tendo falhado aquela que poderia ter sido a 100.ª vitória em ligas profissionais.

No final, durante a entrega das medalhas, presidente e treinador acabaram por estar envolvidos em imagens que se tornaram as mais comentadas da noite… sem que se percebesse ao certo o que aconteceu. Depois da passagem do capitão Nico Otamendi por Rui Costa e Pedro Proença, o líder dos encarnados abraçou Bruno Lage, o técnico disse algo a Rui Costa e voltou depois para trás para completar a ideia, deixando o número 1 do clube da Luz com uma cara mais fechada e séria. Sem que se conheça o teor da conversa, vários adeptos encarnados rapidamente dirigiram atenções para a questão da arbitragem, colocando em causa várias decisões de João Pinheiro e referindo que Lage se tinha queixado do árbitro da Associação de Braga.

“Não sei qual foi a reação do presidente, foi uma conversa entre mim e o presidente que se calhar ele nem percebeu o que lhe disse, se calhar foi mais isso porque depois já voltei a repetir e já nos fartámos de rir no balneário… Não me tinha apercebido de que tinha havido essa reação mas também entrei e não tive a oportunidade para nada, já estive em três flashes, já estive na SportTV e estou agora aqui, com um enorme prazer e respeito imenso que tenham esperado. Acabámos de vencer uma taça que o Benfica não vencia desde 2016, vamos mudar o sete pelo oito lá na nossa parede. É um momento de união”, comentou Bruno Lage na conferência de imprensa a esse propósito, reforçando que não se tinha apercebido de qualquer reação de Rui Costa mas que já tinha referido o mesmo assunto ao presidente do Benfica provocando o riso de ambos.