Francisco Assis, eurodeputado do PS, sai em defesa de António José Seguro, criticando a forma como “algumas figuras do PS” se têm referido ao ex-secretário-geral socialista e exigindo “elevação e contenção”.
Numa nota a que o Observador teve acesso, Assis sublinha que “o debate democrático pressupõe o respeito por regras de civilidade mínimas, sob pena de se transformar numa lamentável troca de insultos e de acusações abjetas”, pelo que se dirige a quem, sem referir nomes, tem estado no espaço público a dar opiniões sobre Seguro: “Aos principais responsáveis políticos exige-se elevação e contenção.”
“Não posso, por isso, deixar de recriminar o modo como algumas figuras do PS se têm vindo a referir ao antigo secretário-geral do partido, António José Seguro. Parece estar em curso uma campanha devidamente organizada com um único intuito: impedir uma candidatura presidencial do António José Seguro”, alerta o eurodeputado.
Aos olhos do socialista, “é legítimo não apoiar essa eventual candidatura”, mas “é inaceitável o modo que está a ser utilizado para a tentar inviabilizar”. E elogia António José Seguro por ser um “homem de carácter, condição que deveria ser imprescindível para o exercício de funções pública”, realçando ser alguém que “ao longo do seu percurso tem revelado qualidades que fazem falta na nossa vida política: não troca convicções por oportunidades, antepõe as causas à carreira, coloca o interesse geral acima das ambições grupais, cultiva a independência e rejeita o servilismo próprio de quem visa apenas sobreviver”.
Assim, conclui: “Julgo que a maioria dos militantes e dos simpatizantes do PS têm respeito e admiração pelo António José Seguro e repudiam estes comportamentos impróprios e que atentam contra o melhor da tradição do PS”.
Esta sexta-feira, Augusto Santos Silva arrasou uma provável candidatura de António José Seguro às eleições presidenciais de 2026 e manteve em aberto uma possível entrada na corrida a Belém. Numa entrevista à RTP2, o ex-presidente da Assembleia da República disse não lhe parecer que Seguro possa “cumprir os requisitos mínimos de uma candidatura que possa ser apoiada pelo PS e por um vasto campo de forças democráticas.”
“Porquê? Porque se fica pelas banalidades e nós precisamos de mais do que banalidades para Presidente da República”, afirmou, acrescentando: “É preciso continuar a trabalhar para encontrar alguém com esse perfil.” Por outro lado, garantiu que nunca será candidato contra António Vitorino — caso venha a avançar, Santos Silva fica de fora.