Augusto Santos Silva arrasou esta sexta-feira à noite uma provável candidatura de António José Seguro às eleições presidenciais de 2026 e mantém em aberto uma possível entrada na corrida a Belém.
Em entrevista à RTP2, o ex-presidente da Assembleia da República sublinhou que há já três candidaturas em curso, ao nomear Marques Mendes, António José Seguro e o almirante Gouveia e Melo. Defendendo que nenhuma destas campanhas se adequa ao perfil que define para assumir a Presidência da República, Santos Silva guardou as palavras mais duras para o antigo secretário-geral do PS.
“A outra campanha que aos olhos de todos está também em curso, a do Dr. António José Seguro, também não me parece cumprir os requisitos mínimos de uma candidatura que possa ser apoiada pelo PS e por um vasto campo de forças democráticas. Porquê? Porque se fica pelas banalidades e nós precisamos de mais do que banalidades para Presidente da República“, afirmou, acrescentando: “É preciso continuar a trabalhar para encontrar alguém com esse perfil”.
Em sentido inverso, Santos Silva teceu elogios à possibilidade de António Vitorino ocupar o espaço socialista com uma candidatura presidencial e recusou avançar contra o antigo ministro: “Nunca serei candidato contra António Vitorino e o contrário também me parece que é verdadeiro“.
O antigo presidente da Assembleia da República salientou ainda que António Vitorino “cumpre todos os requisitos necessários para ser um bom candidato”, lembrando a larga experiência política e o “conhecimento muito profundo” do que implicam as funções de chefe de Estado. “Tem um bom perfil”, resumiu.
[Já saiu o quinto episódio de “A Caça ao Estripador de Lisboa”, o novo Podcast Plus do Observador que conta a conturbada investigação ao assassino em série que há 30 anos aterrorizou o país e desafiou a PJ. Uma história de pistas falsas, escutas surpreendentes e armadilhas perigosas. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro e aqui o quarto episódio]
Sobre a cada vez mais certa candidatura presidencial do ex-chefe do Estado-Maior da Armada, Henrique Gouveia e Melo, o ex-presidente do parlamento alertou para o desconhecimento generalizado sobre as ideias políticas do almirante que liderou a campanha de vacinação contra a Covid-19.
“Não tenho nenhum problema em relação à possibilidade de o cidadão Gouveia e Melo ser candidato a Presidente, mas tenho muitos problemas com o facto de um militar poder ser candidato a Presidente da República”, considerou.
E elencou duas razões “fundamentais” para as suas críticas a uma candidatura de Gouveia e Melo. “Primeiro, porque a nossa democracia é civilista e a tutela militar acabou em 1982; segundo, porque Presidente da República é o mais alto cargo do regime e tem de ser alguém com experiência política. Um militar tem, contudo, uma caraterística: sempre foi protegido politicamente. Não sabemos ainda o que é essa pessoa em termos da sua personalidade política”, concluiu.