O caso do príncipe Harry contra o News Group Newspappers (NGN), grupo dono de jornais como o The Sun e o extinto News of The World, que tinha o julgamento marcado para começar esta terça-feira, 21 de janeiro, no Tribunal Superior de Londres, pode afinal ser resolvido sem batalha judicial. O juiz Timothy Fancourt já aceitou atrasar por quase quatro horas o início da sessão a pedido dos advogados David Sherborne e Anthony Hudson, que representam as duas partes, e estarão a negociar os moldes do acordo, que deverá envolver “quantias substanciais”. Entretanto um terceiro pedido de adiamento foi negado, e agora os advogados estudam formas de atrasar a sessão até à próxima quarta-feira, dia 22. Harry e o antigo vice-líder do Partido Trabalhista Britânico, Tom Watson, foram os únicos de um grupo de 40 figuras públicas que não entraram em acordo anteriormente e mantiveram o processo contra o grupo de Rupert Murdoch.
O julgamento estava agendado para começar às 10h30 da manhã, horário local do Reino Unido, no Rolls Building, em Londres. Entretanto, rumores de um acordo começaram a circular na imprensa depois do primeiro atraso, de uma hora. No regresso ao tribunal, David Sherborne, advogado de Harry e Tom Watson, pediu mais tempo. O juiz Timothy Fancourt adiou a sessão para às 14h00. Mas à hora marcada, os advogados voltaram a pedir mais duas horas de espera.
“Tendo falado com o Sr. Hudson (Anthony Hudson, advogado da NGN), e em nome das duas partes, gostaria de pedir mais tempo”, terá dito o advogado de Harry e Tom Watson em tribunal, citado pelo Express. David Sherborne justificou o pedido afirmando que acreditaria que “algumas horas a mais hoje, a considerar o progresso que foi feito entre as partes, poderão ser produtivas para o tempo geral deste julgamento”. “Não posso dizer mais detalhes neste estágio. Nestas circunstâncias há pouco que possa falar, mas o Sr. Hudson e eu não pediríamos mais tempo se não considerássemos que poderia potencialmente salvar muito tempo do julgamento”.
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Diante da negativa do juiz, Anthony Hudson ameaçou entrar com um recurso no Tribunal de Apelação contra a decisão, o que com efeito, atrasa o início do julgamento até, pelo menos, o dia seguinte. “O juiz está claramente ofendido”, disse o repórter da NGN David Folkenflik, que acompanha a sessão. A NGN terá feito uma oferta para que os dois queixosos desistam do julgamento. De acordo com o jornalista, o advogado da NGN alegou em tribunal que o acordo envolveria “uma quantia substancial” que não estaria disponível caso o julgamento comece. O valor mencionado poderá também estar associado aos honorários dos advogados envolvidos.
NOTE: It appears Hudson *may* have been addressing high legal fees triggered for attys - context unclear and both sides closed off from comment https://t.co/ydsEVRUteV
— David Folkenflik (@davidfolkenflik) January 21, 2025
A equipa de defesa da NGN quer evitar o que chamou anteriormente de “inquérito público”. É que David Sherborne tem como estratégia começar o julgamento justamente a mostrar evidências compiladas ao longo dos anos de que os jornais News of The World e The Sun usavam escutas telefónicas e obtinham informações privadas ou confidenciais através de meios enganosos de forma institucionalizada. O objetivo é responsabilizar executivos da NGN, como o próprio Rupert Murdoch ou o atual CEO do The Washington Post, Will Lewis. A defesa de Harry também quer provar que, depois das alegações de escutas telefónicas se tornarem públicas, terá havido um esforço por parte dos executivos em destruir provas. De recordar que, ao contrário do News of The World, o The Sun nunca assumiu o uso de técnicas ilegais para a obtenção de informações, apesar de já ter feito acordos anteriormente para evitar ir a julgamento em queixas relacionadas com escutas telefónicas.
Em declarações recentes, o príncipe Harry destacou que não queria desistir do caso apesar dos pesados encargos financeiros que implicam ir a julgamento. O duque de Sussex poderá ter de pagar milhões em honorários mesmo se vencer o processo, entretanto, tem o objetivo de que os responsáveis do jornal assumam a culpa. “Este processo tem quase 15 anos. O encobrimento das escutas é relativamente novo. Acho que esta será a peça que vai chocar o mundo”, disse em dezembro, numa participação no Dealbook Summit, um evento organizado pelo The New York Times. “Nestes cinco anos, a retaliação e intimidação das quais fui alvo como testemunha foi extraordinária, especialmente contra a minha mulher e meus filhos”.