A gigante tecnológica norte-americana Microsoft terá sido das principais empresas do seu setor a providenciar a Israel tecnologia de ponta em matéria de armazenamento na cloud e inteligência artificial, usadas no decurso da guerra em Gaza iniciada após os ataques de 7 de outubro de 2023.

As revelações surgem na sequência de uma investigação conjunta do jornal The Guardian com duas publicações israelitas, a revista +972 e o website Local Call, em que estes três meios tiveram acesso a uma série de documentos confidenciais que apontam para um estreitar de relações entre a Microsoft e Israel.

Fruto do reforço desta parceria, a Microsoft terá lucrado perto de 10 milhões de dólares ao fornecer serviços de computação e armazenamento às Forças Armadas Israelitas (IDF), assim como milhares de horas de suporte técnico. Em causa está a crescente sofisticação das operações militares, necessitando das mais avançadas ferramentas digitais para auxiliar nos combates. A investigação demonstra como a utilização dos produtos da Microsoft por parte de Israel disparou em 60% nos primeiros seis meses após o início do conflito, já que as IDF rapidamente esgotaram a sua capacidade nos primeiros momentos, ficando dependentes de empresas como a já mencionada, mas também da Amazon e da Google, para armazenar e analisar maiores volumes de dados e informações de inteligência por períodos mais longos.

Em específico, o sistema cloud Azure da Microsoft — uma forma de armazenamento de dados online — foi usado não só por unidades das forças aéreas, terrestres e navais de Israel, como também como pela sua direção de serviços secretos — em especial a famosa unidade de elite Unit 8200.

Além disso, o modelo de inteligência artificial GPT-4 da OpenAI — o motor por detrás do famoso ChatGPT — também terá sido cedido pela Microsoft às forças israelitas. Essa cedência é resultante de uma mudança de política da OpenAI em janeiro de 2024, que passou a permitir que os seus modelos sejam usados por clientes militares e dos serviços secretos.

Entre alguns dos usos das ferramentas oferecidas pela Microsoft, detalha o The Guardian, estão um sistema que as forças de segurança israelitas utilizam para gerir o registo da população e os movimentos dos palestinianos na Cisjordânia e em Gaza, conhecido como “Rolling Stone”, e um “banco de alvos” que uma unidade da força área mantém para fazer ataques letais.

Todas as partes envolvidas declinaram fazer comentários, sendo que o problema identificado pelos meios de comunicação que fizeram a investigação prende-se com o crescente uso de ferramentas de computação com supostos fins civis na indústria militar.