De mãos dadas com os chineses da Geely, SAIC e BYD, a BMW processou a União Europeia (UE) em relação ao incremento das taxas, já em vigor, para os veículos eléctricos produzidos na China que beneficiaram de ajudas consideradas ilegais pela Organização Mundial do Comércio. De acordo com a Reuters, o construtor germânico apresentou a queixa precisamente no último dia do prazo previsto para contestar a medida.
Esta é mais uma tentativa da marca alemã de desrespeitar as directivas da UE, para atrasar a adopção dos limites de emissões de CO2 definidos para 2025, para além de defender os interesses dos construtores chineses. Provavelmente, para evitar que o Governo chinês retalie e não proteja os carros da marca topo de gama exportados a partir da Alemanha.
O Grupo BMW inclui, além desta marca, a Mini e a Rolls-Royce, e recebeu durante décadas ajudas da Alemanha, do Reino Unido e da União Europeia como um todo, para optimizar e fazer evoluir a sua presença na Europa, pelo que é estranho vir agora a público defender o melhor para os interesses da China e dos seus construtores. Isto numa altura em que a UE pretende, precisamente, harmonizar as leis do mercado e atenuar a vantagem dos construtores chineses, especialmente os que receberam ajudas estatais ilegais.
As vendas da BMW caíram 2,3% em termos mundiais em 2024, sendo que 13,4% da quebra é imputável à China, mercado cuja situação financeira (menos boa) está a levar os consumidores a afastar-se dos produtos importados mais caros e a optar pelos veículos locais, mais acessíveis.
Os três construtores chineses e a BMW contestam as taxas adicionais colocadas aos veículos eléctricos produzidos na China, o que inclui a totalidade dos veículos de marcas chinesas, bem como modelos como o BMW iX3 e os Mini Cooper SE e Aceman, também eles fabricados no país asiático. Estes, por serem produzidos em joint-ventures com construtores estatais chineses, estão sujeitos a uma taxa adicional de 20,7%, da mesma forma que os modelos da BYD pagam 17% de impostos adicionais (somados aos 10% habituais), os Geely 18,8% e os SAIC 35,5%.
Os impostos adicionais que o regulador europeu estabeleceu são uma “gota de água” quando comparados com os 100% que os norte-americanos impuseram aos modelos importados da China. São também uma “pechincha” quando comparados com as condições que o Estado chinês impôs, durante anos, aos construtores europeus (e americanos) para comercializarem livremente os seus automóveis na China, o que passava por construírem uma fábrica no país e “oferecerem” 50% a uma marca estatal chinesa, que assim tinha acesso à sua tecnologia.
Como seria de esperar, alguns construtores chineses começaram a delinear estratégias para instalar as suas próprias fábricas na Europa, sem serem obrigados a ter um sócio local ou a ceder parte a um construtor europeu. A Chery já começou a fabricar alguns dos seus modelos em Espanha, numa antiga fábrica da Nissan, com a BYD a terminar a construção de umas instalações fabris na Hungria, de onde vão sair alguns dos veículos destinados nos mercados da UE.