A polícia norte-americana prendeu um homem de 66 anos por um homicídio que aconteceu há quase 50 anos no Hawai. Gideon Castro foi preso na última terça-feira no lar onde vivia, no estado de Utah, depois de testes de ADN o associarem ao caso do homicídio de Dawn Momohara, uma jovem de 16 anos que foi encontrada morta dentro da escola onde estudava, em Honolulu. O homem foi acusado pelo crime de homicídio em segundo grau, de acordo com a CNN.

O corpo de Dawn foi encontrado na manhã de 21 de março de 1977 no segundo andar da McKinley High School. Estava parcialmente vestida e tinha um tecido laranja em volta do pescoço. De acordo com a autópsia, a jovem morreu por estrangulamento e tinha lesões compatíveis com violência sexual. Foram recolhidas peças de provas, como a sua mala, chinelos e calções, nas na altura não existia tecnologia para realizar testes de ADN.

Caça ao assassino durou 47 anos

A tenente Deena Thoemmes, da polícia de Honolulu, explicou numa conferência de imprensa que no dia anterior ao corpo ser encontrado, um domingo, Dawn recebeu a ligação de um homem não identificado e que, mais tarde, disse à mãe que iria encontrar as amigas num centro comercial. “Esta foi a última vez que a mãe de Dawn viu ou ouviu a filha”. Na altura testemunhas disseram terem visto um homem asiático que parecia ter entre 18 e 22 anos nos arredores da escola na noite de 20 de março. De acordo com a polícia, um retrato-robô foi tornado público mas não ajudou a identificar potenciais suspeitos.

Departamento de Polícia de Honolulu

A 28 de março desse ano os detetives entrevistaram Gideon Castro. “Ele disse que convivia com Dawn desde o final de 1976 e que a conheceu durante um baile da escola. Gideon formou-se na McKinley High School em 1976”, explicou a tenente. “Ele disse que Dawn era sua amiga e do seu irmão, William. Disse que Dawn o procurou algumas vezes enquanto ele ainda andava na escola e que a viu pela última vez na festa de carnaval da McKinley, em fevereiro de 1977, quando eles conversaram por 15 minutos.” O irmão de Gideon, William, também foi interrogado e disse que viu a jovem três dias antes da sua morte, quando lhe ofereceu uma boleia para casa, mas ela recusou.

A investigação permaneceu sem qualquer avanço por mais de quatro décadas, até que em março de 2019 detetives de casos arquivados de homicídios pediram uma análise de ADN às peças recolhidas quando o corpo foi descoberto, incluindo uns calções que continham traços de esperma. O teste permitiu chegar ao perfil genético de um homem não identificado.

Foi só em setembro de 2023 que a polícia recebeu informações de que Gideon e William Castro seriam os principais suspeitos no caso. Em novembro do mesmo ano a polícia conseguiu obter ADN de um dos filhos de William, análise que o excluiu como suspeito. Na sequência, os investigadores obtiveram uma amostra de ADN do filho de Gideon, que era compatível com o perfil genético encontrado nos calções. No início de janeiro de 2025 a polícia viajou ao estado de Utah para colher amostras de Castro. “Foi determinado que o perfil genético obtido a partir das peças de evidências corresponde ao perfil genético de Gideon Castro”. O homem foi detido e levado para o Hawai onde será julgado por homicídio em segundo grau.