Quando terminou o jogo com o Nacional, e apesar de ter jogado apenas um par de minutos na parte final, Conrad Harder foi surpreendido por um abraço e uma curta conversa com Rui Borges quando agradecia aos adeptos juntamente com a equipa junto ao topo sul de Alvalade. O técnico, como se tinha visto logo na estreia frente ao Benfica, é também um líder de afetos e logo aí parecia estar a puxar pelo dinamarquês por todas as batalhas que se seguiriam. A primeira, numa “final” pelo playoff da Liga dos Campeões, tinha o acréscimo de não contar com Gyökeres, o melhor marcador da equipa. Harder, na hora certa, apareceu com um golo.

Na hora da verdade, só muda o penteado e a vontade (a crónica do Sporting-Bolonha)

A qualificação para a fase seguinte chegou mesmo, com o 23.º lugar a colocar Atalanta ou B. Dortmund na rota dos leões. No entanto, os maus registos com equipas italianas continuam: o Sporting não ganha ao Bolonha há três jogos (sendo que o único triunfo foi em 1991, na segunda mãos dos quartos da Taça UEFA) e venceu apenas dois dos dez encontros realizados no novo estádio José Alvalade com transalpinos.

Em paralelo, o empate frente ao Bolonha, que estava eliminado da competição, confirmou a bipolaridade do caminho verde e branco no ano de estreia de um novo formato da Liga dos Campeões: com Ruben Amorim, três vitórias incluindo uma goleada ao Manchester City e um empate em Eindhoven com o PSV; com João Pereira e Rui Borges, três derrotas e uma igualada na última jornada. Apesar disso, e naquele que foi o jogo 100 do Sporting na Taça dos Campeões Europeus/Liga dos Campeões, surgiu aquela que foi apenas a terceira passagem nos grupos desde 1992/93, depois de 2008/09 e 2021/22 (derrota nos oitavos).

“Foi dentro do que esperávamos. A preocupação era se iríamos estar no nosso melhor a nível físico e igualar a intensidade. Uma equipa que anda homem a homem o campo todo, muito atlética, bem preparada, sem nada a perder. Os nossos jogadores não estão a 100% e isso sente-se mas fomos igualando esses duelos, essa capacidade. Acabámos por ter a infelicidade de sofrer de bola parada. De resto, fomos bastante competentes. Não fugimos do jogo, tentámos criar, tivemos sempre muito critério. Faltou-nos alguma mobilidade e ataque à última linha do Bolonha, provocar mais o espaço nas costas, a profundidade. Aí sente-se que nem sempre estamos a 100%, os jogadores querem mas a parte mental prende. Quando fomos agressivos, criámos dificuldades ao adversário. De resto foi tentar igualar duelos, sair do 1×1. O Quenda e o Simões entraram muito bem. Tentámos guardar o Quenda para 30/35 minutos bons. É muito dinâmico, sai bem do 1×1. O Simões igual, diferente do Zeno [Debast]. O golo do empate é uma situação de profundidade dele. Estou feliz pelo que conseguimos, mas um jogo difícil”, referiu Rui Borges à SportTV.

“Ao intervalo não era bem a tática em si. Estávamos a conseguir sair, não estávamos era a ser agressivos. Precisávamos disso no último terço, de contra movimentos, ligações, quem vem no espaço, quem vai no pé. Estávamos um bocadinho mais pausados, especialmente a malta da frente. Tínhamos de atacar mais esse espaço. Encostámos o Bolonha mais atrás, fomos mais pressionantes na construção do adversário. Foi o que pedimos, dentro da dificuldade do jogo. Preferência no adversário? Não tenho, estou feliz por passar. A grandeza do clube assim o exige. É o concretizar de um objetivo coletivo, mais um objetivo cumprido. Agora é desfrutar do momento, daquilo que virá pela frente sem grande pressão e sermos Sporting. Agora é focar no Campeonato, é esse o nosso caminho”, acrescentou, antes de falar de João Simões.

“Tem um peso enorme porque tem uma maturidade acima da média. É um líder, fala, comunica, assume-se. Terá um futuro muito risonho. Já disse isso e volto a dizer. É um miúdo comprometido, que tem uma ligação com o Sporting e isso sente-se em campo. É importante essa paixão, ter jogadores que transmitam isso para a equipa sentir esse nervo, digamos”, destacou Rui Borges sobre o jovem médio.