Biden ainda estava no edifício quando os funcionários a cargo da manutenção da Casa Branca começaram a fazer as mudanças na Sala Oval. A maior parte da redecoração foi feita num espaço de horas, no dia 20 de janeiro, durante as cerimónias da tomada de posse de Trump como 47.º Presidente dos Estados Unidos. De cima da lareira saiu o retrato do Presidente democrata Franklin D. Roosevelt e entrou o de George Washington, que ali já tinha estado no primeiro mandato, desta vez com novos acompanhantes.
O primeiro Presidente norte-americano terá a seu lado Thomas Jefferson, o terceiro Chefe de Estado do país; Andrew Jackson, o sétimo; e ainda Alexander Hamilton, um dos pais fundadores dos EUA e o primeiro secretário do Tesouro, de acordo com o The Wall Street Journal. Em 2021, Biden levou para a Sala Oval um retrato de Benjamin Franklin, também ele um pai fundador, de forma a representar que a sua administração ia apostar na ciência. Trump escolheu agora não se desfazer dele.
No seu primeiro mandato, a resolute desk — icónica secretária da Sala Oval oferecida, em 1880, ao Presidente Rutherford B. Hayes, pela rainha Vitória de Inglaterra — foi uma das poucas coisas que Trump não mudou, em relação à decoração de Barack Obama. Desta vez, para fazer a substituição do tapete azul escolhido por Joe Biden por outro com um tom mais neutro, a secretária centenária teve mesmo de ser desmontada.
Queridos, mudei a Sala Oval: ou como Trump redecorou a Casa Branca
Quando estiver sentado na resolute desk, nas suas costas ficará uma mesa onde, numa das extremidades, estão reunidas várias molduras de fotos da sua família. Entre os retratos presentes, está um da mãe Mary Anne, que morreu em 2000, outro do pai Fred Trump, um agente imobiliário nova-iorquino que morreu em 1999, e ainda um da irmã mais velha, Maryanne Trump Barry, uma juíza federal que morreu em 2023. Há muitas outras fotos, duas delas com os filhos. Uma em que o Presidente aparece com a filha Ivanka, quando esta era criança, e outra do filho mais novo Barron, ainda bebé, em que Trump o segura com a primeira-dama Melania.
Na outra extremidade da mesa, Trump colocou um conjunto de cerca de 30 emblemas de várias organizações e instituições. No primeiro mandato, o republicano tinha um conjunto semelhante, composto por insígnias militares e o logótipo da polícia de Nova Iorque, de acordo com o The New York Post. O Presidente republicano também trouxe de volta as bandeiras dos vários ramos do exército do país, removidas durante o mandato de Biden.
O famoso botão da CocaCola Diet, no qual Trump carrega para pedir aos funcionários da Casa Branca a sua bebida favorita, também é um algo que o voltará a acompanhar no seu segundo mandato.
O busto de Winston Churchill também regressa ao escritório presidencial, depois de ter sido removido por Biden. Já o busto de Martin Luther King, que em 2017 Trump não quis manter e foi entretanto recuperado por Joe Biden, será desta vez mantido. Ao contrário destes dois bustos, que ficarão na Sala Oval nos próximos quatro anos, Trump escolheu desfazer-se de um outro, numa decisão polémica. Robert F. Kennedy — pai do seu escolhido para Secretário da Saúde, Robert F. Kennedy Jr. — que Biden tinha colocado com algum destaque, junto da lareira, não acompanhará o Presidente republicano, durante o segundo mandato.
No que toca a pequenas peças de escultura, o novo Presidente vai contar com uma nova águia prateada e com o retorno do famoso “Bronco Buster”, que representa um cowboy a tentar dominar um cavalo, esculpido pelo artista Frederic Remington.
Para compor a decoração do interior da Sala Oval, os Presidentes norte-americanos têm à sua disposição a coleção de arte da Casa Branca. Podem igualmente pedir peças a outras instituições como a Smithsonian — uma vasta rede de museus e centros de educação e de pesquisa, criada pelo governo norte-americano. Contudo, nem todas as obras de arte podem são feitas para o escritório presidencial. Segundo o The Wall Street Journal, certos designers acreditam que as paredes curvas restringem muito o tamanho que as peças devem ter para ficarem bem quando ali penduradas.