Cristina Ferreira não gosta de extremismos nem defende a existência de quotas, identifica-se mais com os partidos de direita pela sua “visão económica” e não exclui vir a candidatar-se à Presidência da República. Não é a primeira vez que a apresentadora de televisão, empresária, acionista e administradora da Media Capital admite esta possibilidade, mas voltou agora, em entrevista à CNN, a assumir que está “muito longe de excluir” essa opção da sua vida — e garante que faria o seu melhor caso fosse eleita.

“Eu gosto muito de política, tenho muita curiosidade em relação ao que é a política e em relação aos políticos do nosso país. Gosto de os conhecer e ao seu propósito; saber de onde vêm e porque estão ali. E isso, durante muito tempo, deixou-me ali a pensar: ‘Será que é isto que eu gostaria de fazer um dia?’ Seja numa câmara municipal, seja na representação maior da nação“, começou por contar Cristina Ferreira.

Cristina Ferreira considera candidatar-se à Presidência da República

Assumindo que “não tem capacidade” para ser primeira-ministra, o mesmo não se aplica à Presidência da República: “Em relação ao cargo de Presidência da República, até ao dia em que morrer não vou dizer que não vou ser candidata, porque não sei se o vou fazer ou não… Estou muito longe de excluir isso da minha realidade.”

Considerando que “não podemos banalizar a ideia de querer ser Presidente”, a empresária e apresentadora de televisão garantiu que, “se fosse eleita iria tentar ser a melhor Presidente da República deste país”. “Não há nada em que não me meta e que não tente fazê-lo da melhor forma que sei e da forma mais perfeita. Este lugar é um lugar de profundo respeito. E no dia em que apresentas a candidatura tens de mostrar o que queres fazer com ela e que tipo de Presidente vais ser”, disse.

E apesar de afirmar que, até agora, “nenhum deles [dos candidatos]” lhe despertar interesse para uma potencial entrevista, dá o braço a torcer no que toca a Gouveia e Melo: “O Almirante é alguém que todos nós queremos conhecer, até porque foi sempre muito reservado. Gosto de tentar perceber se a pessoa austera o é de verdade ou não, gosto de desmanchar o político.”

“A política é um bocadinho como o futebol”

Após ter aberto (uma vez mais) a porta à ideia de se juntar à corrida a Belém, quando questionada sobre as suas tendências políticas, Cristina Ferreira disse ser “naturalmente, de uma família de direita”. No entanto, “ao longo do meu percurso tive muita influencia de esquerda. Sou uma mistura que não sei bem definir, mas se tivesse de me encaixar… Ponho-me na direita. Tem muito a ver com a visão económica da direita”.

Para a empresária, “a política é um bocadinho como o futebol: quando toda a família é do Benfica, podes querer ser a ovelha ronhosa e ser do Sporting, mas fica-te sempre algo do Benfica” — foi o caso da sua família, onde sempre se falou “muito de economia e onde sempre ‘viraram’ muito à direita”.

Contra extremismos e quotas

Nesta entrevista de uma hora, ainda houve espaço para debater o que é ser mulher (e que desafios por vezes têm de enfrentar), e Cristina Ferreira referiu-se ao feminismo como uma ideia extremista que não é positiva para a sociedade.

“Qualquer extremismo — como é o feminismo — pode fazer o contrário daquilo que é o seu objetivo. Ultrapassa-se, às vezes, aquilo que é o limite… Hoje em dia ninguém suporta que o outro tenha uma opinião que não seja favorável; há dificuldade em colocares-te no papel de ‘eu errei'”, disse.

E, focando-se no percurso que tem traçado profissionalmente e nas ideias de projetos que ela própria diz ter desenvolvido, Cristina Ferreira diz que a chave é trabalhar. “Se acreditares em ti, se trabalhares”, consegues alcançar tudo, “sejas homem ou mulher”. “E é por isso que não sou a favor de quotas: cada uma de nós só não consegue o que não quer”, defendeu.

“Revi-me muito” na polémica da transferência de Rúben Amorim

Cristina Ferreira diz que não pensa “nos riscos” das suas decisões e é precisamente essa visão que faz com que não olhe para a saída da TVI como um erro. “Para muitas pessoas foi um erro tremendo a minha passagem para a SIC. E para mim não foi. Aquela foi a minha escolha.”

Já sobre o regresso à TVI, a apresentadora disse “não ser” justo e que “nem sequer devia ter existido um processo” por parte da SIC. “Porque houve da minha parte, desde o início, uma solução e vontade de cumprir o estabelecido. Sinto que teria honrado os meus compromissos. Depois porque não há nenhum outro processo em relação a isto. E depois porque, quando foi a transferência do Rúbem Amorim eu me revi muito nisto”, apontou.

Cristina Ferreira e SIC chegam a acordo e põem fim a caso em torno da saída da apresentadora para a TVI

A apresentadora de televisão referia-se à decisão do treinador de trocar o Sporting Clube de Portugal pelo Manchester United quando os leões estavam a ter uma época desportiva tão positiva. “O que disseram [quando Amorim decidiu sair] foi: ‘Que grande treinador, vai à procura do que é melhor para ele'”, no entanto “muito poucas pessoas o disseram em relação a mim”.

“Eu sei da minha honestidade, da minha honra, do que faço todos os dias. Eu pago as minhas contas todas, nunca ficarei a dever nada a ninguém”, garantiu, sem querer desvendar o valor da indemnização acordada com a SIC (e que pôs término a um conflito de quatro anos)”, rematou.