Início de temporada, redefinição de objetivos, programação de toda uma temporada que pode sempre sofrer contratempos mas que na teoria fica decidida num mês para todo o ano. João Almeida fazia esta quarta-feira a estreia oficial nas estradas em 2025 já com o calendário da temporada definido e a perceber como se sentia na Volta à Comunidade Valenciana que começava com um contrarrelógio por equipas com 34 quilómetros em Orihuela. O que poderia fazer o português? Ninguém saberia ao certo, nem o próprio. E tudo porque, na perspetiva macro da época, este era só o arranque da primeira parte do ano, que teria como objetivo chegar no melhor momento possível ao Tour onde irá ser o número 2 da equipa liderada por Tadej Pogacar.

“Estou bastante entusiasmado por começar a temporada. Foi um bom inverno, uma boa pré-temporada para mim. Sinto que a minha condição física é boa e onde tem de estar nesta fase de arranque da época competitiva. Não é sempre que se começa com um contrarrelógio por equipas, o que pode ser favorável à nossa formação. Pela equipa tão boa que apresentamos, creio que podemos estar confiantes de ter uma boa prestação”, comentara o português na antecâmara do arranque da prova que irá durar até domingo com cinco etapas, depois de um estágio realizado por toda a equipa no sul de Espanha, em Benidorm.

“Teremos muitas cartas para jogar e espero ter condições de ambicionar um grande resultado. O Brandon [McNulty] venceu esta corrida no ano passado e parece sempre voar nesta altura do ano. Por isso, é bom ter opções para a classificação geral. O mais importante será alcançarmos vitórias para a equipa”, acrescentara, recordando o triunfo do americano em 2024 depois da vitória de Tadej Pogacar em 2019, sendo que pelo meio houve também os sucessos de Aleksandr Vlasov em 2022 e do português Rui Costa em 2023.

João Almeida chegava a Espanha com uma UAE Team Emirates com cinco vitórias esta época (incluindo a de António Morgado no Grande Prémio Castellón) e que apresentava ainda Pavel Sivakov, Filipo Baroncini, Julius Johansen, Felix Groschartner, Brandon McNulty e Ivo Oliveira, que se juntava aos outros dois atletas nacionais em prova: Nelson Oliveira da Movistar e o campeão olímpico na pista Iúri Leitão, que começou com uma grande vitória no Challenge de Maiorca pela Caja Rural. Principais adversários? Aleksandr Vlasov e Jai Hindley da Red Bull BORA, Santiago Buitrago e Pello Bilbao da Bahrain, Carlos Rodríguez da Ineos ou Ben O’Connor da Jayco. Os nomes estavam lançados mas havia uma surpresa por aparecer.

Apesar de ser apenas um contrarrelógio por equipas sem um aparente peso decisivo, a Lidl-Tek aproveitou um provável momento com mais vento na primeira parte do percurso quando estava na estrada, ganhou asas e ganhou com larga margem a etapa inicial da Volta à Comunidade Valenciana (39.19). Entre os “outros”, a Jayco acabou por imperar a 47 segundos da formação vencedora, deixando a UAE Team Emirates em terceiro a 50 segundos do primeiro classificado. Seguiram-se Red Bull-Bora e Ineos com diferenças muito semelhantes à equipa de João Almeida. Já a Movistar acabou em sexto, a 1.06 minutos da Lidl-Trek.

Esta quinta-feira será definida a lista dos potenciais candidatos à vitória final, com uma chegada a subir em Benifato que se apresenta como momento mais complicado num traçado acidentado mas menos duro do que aconteceu na última edição, não sendo expectável que ninguém da Lidl-Trek tenha capacidade para continuar na frente apesar da boa vantagem que a equipa ganhou em menos de 35 quilómetros em Orihuela.