Mais um jogo, mais uma lesão, mais um caso traumático que obrigou Rui Borges a mexer ainda na primeira parte. No meio de azares atrás de azares que continuam a assolar o Sporting no plano físico, o clássico com o FC Porto fez como “baixa” João Simões, médio que ainda tentou aguentar em campo após o choque de joelho com joelho com Eustáquio mas que acabou mesmo por dar o lugar a Zeno Debast. Ainda assim, nem essas sucessivas dores de cabeça alteraram a equipa verde e branca do propósito principal, com o quarto encontro frente aos dragões a sair empatado ou a ganhar ao intervalo – como aconteceu com o golo de Iván Fresneda, lateral que nunca tinha marcado como sénior mas que fez a festa pela segunda jornada consecutiva.

As “friday night lights” de um jogo que teve luz, mas nunca foi iluminado (a crónica do FC Porto-Sporting)

Depois de um segundo tempo de maior ascendente do FC Porto mas com o Sporting a ter espaço e mais do que oportunidades para “sentenciar” o encontro, tudo acabou com um empate nos descontos e o descontrolo emocional de vários protagonistas que ainda valeu vermelhos a Matheus Reis e Diomande até ao final. Pelo contexto que chegou, o 1-1 deixou um sentimento de frustração na comitiva leonina mas nem por isso impediu algo como não se via há quase meio século: há 49 anos que o Sporting não registava uma série tão positiva frente aos azuis e brancos, com duas vitórias e dois empates nos últimos quatro encontros.

Ainda assim, tudo isso teve dois pontos “negativos”. Por um lado, os leões não vencem no Dragão há nove anos (quatro empates nos último cinco jogos, quando a equipa então comandada por Jorge Jesus manteve acesa a chama do título – que acabaria por ir para o Benfica, com 88 pontos contra 86 dos verde e brancos – com um triunfo por 3-1. Por outro, voltou a não terminar o clássico com 11 jogadores em campo, numa série que aumentou depois desta noite para oito expulsões nos últimos cinco jogos no reduto portista.

Tudo começou em 2021/22, num clássico importante para definir as contas do título que terminou com um empate a dois e com Coates expulso por acumulação aos 49′, seguindo-se os vermelhos a João Palhinha e Bruno Tabata no meio da confusão depois do apito final. Seguiu a vitória do FC Porto na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, com Pedro Porro a ser expulso com vermelho direto aos 88′ entre a vitória dos portistas. Em 2022/23, logo na terceira jornada do Campeonato, o lateral espanhol agora no Tottenham voltou a ser expulso aos 75′. Já na última temporada, num fase final do Campeonato, Gyökeres bisou para o empate no fim antes de Marcus Edwards ver vermelho aos 90′. Agora, a “fava” tocou a Matheus Reis, com dois amarelos aos 90+5′ e 90+7′, e a Diomande, expulso de forma direta logo no minuto seguinte.

“Tivemos uma primeira parte em que controlámos o jogo, acho que tivemos o suficiente para ir a ganhar para o intervalo. Depois é normal, estamos a jogar no Estádio do Dragão, contra o FC Porto, com os seus adeptos e eles precisavam de ir atrás do empate. Mas acho que aguentámos muito bem e merecíamos ganhar o jogo. Não podemos conceder aquele golo no último minuto. O futebol é assim. Pensávamos em ganhar. Não na classificação ou pontos de vantagem. Para nós todos os jogos são sempre difíceis. Este era um jogo também muito importante e queríamos ganhar”, comentou Iván Fresneda após o jogo à SportTV.

“Celebração? Acho que foi euforia… Marcar um golo é sempre importante e fico feliz por ajudar a equipa. Se alguém ficou ofendido por isso, peço desculpa. Fora do jogo não foi para ninguém em concreto, foi só a euforia de marcar um golo importante. Acredito muito nesta equipa e equipa técnica. Ajudaram-me muito nestes meses e fico feliz por eles e pela equipa, porque me ajudam muito no Sporting. Luta a dois ou a três pelo título? Temos hipóteses para ganhar o título, só pensamos no próximo jogo e seguir assim”, frisou.