Começaram no último sábado, 8 de fevereiro, em Vancouver, no Canadá, os Invictus Games, um evento desportivo fundado pelo príncipe Harry em 2014, destinado a militares feridos de todo o mundo. E na cerimónia de abertura, tanto Harry quanto Meghan parecem reforçar a decisão que tomaram há cinco anos, de deixar a realeza britânica.

Numa intervenção não planeada, antes do discurso já esperado do príncipe, Meghan subiu ao palco para apresentar o marido. “Sinto-me em casa”, destacou a antiga atriz, que viveu em Toronto, no Canadá, por cerca de seis anos quando gravava a série Suits, e voltou a viver no país por algumas semanas em 2020, quando o casal anunciou a saída da família real britânica. “Estamos muito felizes de estar aqui e eu estaria em falta se não aproveitasse a oportunidade de apresentar alguém que significa muito para mim e eu sei que significa muito para todos vocês. Vão vê-lo ao longo desta semana, nos jogos, provavelmente a torcer convosco durante o basquetebol em cadeira de rodas”, disse. Depois, Meghan deu alguns raros detalhes do que será a rotina familiar na casa dos Sussex.

“O que vocês não vão ver são os momentos que nos trouxeram aqui. Sabem, com as famílias… Há aquela pressa da manhã, o preparar-se para a escola e fazer as lancheiras, fazer o pequeno-almoço, e o meu marido está em todas estas tarefas connosco. Então, de repente apanha o telefone e Archie diz: ‘Papá, por que é que estás ao telefone?’ e ele responde: ‘Porque estou a preparar-me para os Invictus'”. A mulher de Harry destaca mais: “preciso que saibam o quanto os jogos significam para ele, e o quanto cada um de vocês significa para ele. Vocês são a família dele, assim como nós. Espero que possam reconhecer quanto do coração dele está presente em cada momento que nos trouxe a todos nós até esta semana, que vai ser espetacular”.

“A liderança não acaba quando deixas o campo de batalha e tiras o uniforme”

Os Invictus Games são uma das poucas iniciativas que o casal manteve do tempo da vida no círculo da realeza. O príncipe Harry criou o evento desportivo em 2014, depois de ter ele mesmo estado a serviço das forças armadas britânicas. Durante 10 anos, Harry desempenhou duas missões no Afeganistão, em 2007 e em 2012. “Os jogo nasceram há mais de dez anos da promessa que fiz a mim mesmo. Uma promessa de cumprir com a minha obrigação — uma obrigação sagrada depois de uma década do privilégio do serviço militar — de fazer o que eu pudesse para ajudar os meus irmãos e irmãs a curarem-se, e a manterem tudo aquilo que defendemos”, disse Harry no discurso de abertura dos jogos.

“Ao longo da última década perdi as contas às vezes em que ouvi de vocês que os Invictus Games salvaram-nos. Com todo o respeito, discordo. Os Invictus não vos salvaram. Vocês salvaram-se a vocês mesmos. Foram vocês que seguiram em frente diante da dúvida e do desespero”, referiu ainda o príncipe, que sublinhou ainda a importância de manter o propósito mesmo fora do serviço militar — o que parece também fazer referência ao próprio trabalho fora da realeza. “Uma das formas mais poderosas de cura não vem dos centros de recuperação e hospitais mas de ter um propósito. Um sentimento de pertença. Ser parte de algo maior do que nós mesmos. E esta cura, apesar de começar contigo, estende-se para os teus filhos e pessoas queridas, que ficam felizes com o simples facto de te verem sorrir de novo. De saberem que a tua mente não está noutro lugar. Que estás totalmente presente”.

“Neste momento, quando o que não faltam são crises, incertezas, falta de moral, os valores que incorporas, a forma como te portas, não apenas nos Invictus mas todos os dias, a tua coragem, resiliência, humanidade, ilumina o caminho para todos. E por isso, agradeço-vos. A liderança não acaba quando deixas o campo de batalha e tiras o uniforme. Permanece. O exemplo que dás é o compasso para o mundo”.

Abordagem mais próxima do público

Os discursos anteciparam um fim de semana de envolvimento do casal em todo o certame. Harry e Meghan acompanharam de perto cada momento dos jogos, seja nas bancadas, onde assistiram a partidas, e foram fotografados a trocarem beijos e abraços, seja junto das claques nos bastidores, a abraçarem familiares e a contarem histórias infantis aos filhos dos veteranos. Tudo documentado ao pormenor através das redes sociais da duquesa de Sussex, que regressou ao Instagram no início deste ano e tem estado cada vez mais ativa na página. Pela primeira vez Meghan partilhou stories, vídeos e fotos simples dos bastidores, muitas vezes registos em primeira pessoa, que inspiram uma imagem de disponibilidade, união proximidade do público.

Meghan e Harry permaneceram cinco anos afastados das redes sociais. O casal tinha um perfil no Instagram com o nome “Sussex Royal”, mas a página deixou de ser atualizada em março de 2020, depois do famoso “Megxit”. No início de janeiro de 2025 Meghan regressou à rede social, agora em nome próprio. Começou por divulgar a sua nova série, “With Love, Meghan”, e passou a usar o perfil como uma plataforma para mostrar mais das causas que defende. Foi o caso de um vídeo estilo selfie partilhado com o intuito de destacar as campanhas de ajuda às vítimas dos incêndios na Califórnia.

A mudança na abordagem coincide com uma fase em que o casal enfrenta (mais) uma série de críticas. A duquesa preparava-se para o lançamento da sua série de lifestyle na Netflix quando os incêndios destruíram a Califórnia e a obrigaram a adiar a data de estreia. Harry e Meghan chegaram a ser acusados de “turistas do desastre” depois de aparecerem em ações de ajuda às vítimas dos incêndios. Na sequência, foram alvo de um artigo da Vanity Fair que terá ouvido pessoas que trabalharam com o casal a dizerem que Meghan tinha atitudes de “adolescente má” e Harry não se preocupava em trabalhar.