Já tínhamos avançado aqui que a Renault se tinha juntado à Volvo Trucks (sem qualquer relação com a Volvo Cars, que produz automóveis) para formar a Flexis SAS, uma empresa dedicada a veículos comerciais, em que cada um dos construtores detém 45% do capital. Os restantes 10% estão na posse da CMA CGM, uma grande empresa francesa da logística e do transporte de mercadorias, em busca de veículos para assegurar as denominadas entregas na  last mile, do centro de distribuição até à porta dos clientes.

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A Renault já possui os comerciais Kangoo e Trafic em versão eléctrica, mas estes são concebidos a partir de chassis originalmente com mecânicas a combustão, logo sem o potencial de versatilidade que um furgão eléctrico projectado de raiz pode conseguir. E é aqui que surgem os novos modelos da Flexis, desenhados sobre uma nova plataforma tipo skateboard (plana, para ser mais versátil) e recorrendo a um sistema eléctrico a 800V, para permitir carregamentos mais rápidos que permitam repor a energia da bateria enquanto se realizam as entregas aos clientes. Além disto, o novo chassi assegura a liberdade precisa para a concepção de acessos e funcionalidades mais eficientes, o que dota estes novos furgões com maior potencial para se adaptarem às necessidades dos clientes.

Três furgões eléctricos da Renault e da Volvo com plataforma skateboard e 800V

Para baptizar os seus novos veículos comerciais, a Renault recorreu ao seu passado, recuperando a Goelette de 1947 (agora denominada Goelette E-Tech, por ser eléctrica), disponível enquanto furgão e como comercial de caixa aberta, além da Estafette, o furgão da marca lançado em 1959. O terceiro elemento é um furgão médio, mais pequeno do que os dois anteriores e similar à actual Trafic, herdando a denominação deste modelo tradicional da marca que surgiu originalmente em 1980.

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A nova plataforma, mecânicas e carroçarias dos novos comerciais eléctricos da Flexis foram concebidas e desenvolvidas pela Ampere, a divisão de veículos eléctricos da Renault. Os modelos são produzidos na Europa, mais precisamente em França, na fábrica da marca em Sandouville, juntamente com os veículos “irmãos” dos restantes sócios deste projecto. Em termos de software, a Renault equipa estes modelos com o sistema Android Automotive da Google, a mesma solução que já utiliza nos seus automóveis e SUV.

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O Estafette E-Tech anuncia 5,27m de comprimento, 1,92m de largura e uma altura de 2,60m, o que o aproxima das dimensões de uma Renault Master actual, mas com portas de correr laterais e um portão traseiro de cortina e abertura vertical, mais habituais nos EUA do que na Europa, tendo o modelo sido concebido de forma a que o condutor possa sair do seu posto e percorrer o interior do furgão até ao portão posterior. A Goelette E-Tech e a Trafic, de que a Renault não divulgou as dimensões, são similares até ao pilar B, para a partir daí evoluírem de forma distinta. Para a Trafic, mais vocacionada para meios urbanos, o construtor anuncia um raio de viragem de 10,4m, idêntico ao do reivindicado pelo pequeno Clio.

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