“Estou extremamente desiludido por estar a escrever esta mensagem numa altura tão crucial da época. Infelizmente, vou estar ausente durante algum tempo devido a uma lesão. Voltarei mais forte do que nunca! É altura de apoiar os rapazes do lado de fora. Ainda há muito para jogar”
Quando se pensa que nada mais poderá acontecer ao Manchester United, eis que Ruben Amorim ganhou mais uma dor de cabeça. Até à chegada do português, a ausência por lesão de Amad Diallo poderia ser vista apenas como “mais uma”. No entanto, o rendimento que o costa-marfinense foi mostrando desde novembro tornou-o num dos elementos mais preponderantes da equipa, com nove golos e sete assistências num total de 38 jogos insuflados com a chegada do treinador a Old Trafford. O cenário já não era o melhor, tendo em conta que Mainoo, Manuel Ugarte, Collyer, Lisandro Martinez, Luke Shaw, Tom Heaton, Mason Mount, Jonny Evans e Altay Bayindir também estavam de fora, mas ficou ainda mais complicado para os red devils.
O último encontro, a contar para a Taça de Inglaterra, até terminou com uma vitória nos descontos frente ao Leicester (com um golo irregular de Harry Maguire, como o próprio assumiu no final) mas era na Premier que entroncavam os maiores problemas do Manchester United, que chegava a Londres para defrontar o Tottenham depois de mais uma derrota caseira com o Crystal Palace. Em 24 encontros entre Erik ten Hag e Amorim, a equipa ganhou apenas um terço (oito), levava 11 desaires, tinha um saldo adensado negativo de golos marcados e sofridos (28-34). Pior que isso, não tinha propriamente um rumo para a redenção.
De dentro para fora do campo, a situação era melhor. Tendo em conta os prejuízos superiores a 350 milhões de euros só nas últimas três temporadas, Jim Ratcliffe, um dos proprietários do clube, avançou para mais cortes internos no sentido de evitar aquilo que o The Guardian descreve como possível falência. Assim, a publicação avançava com cortes em cerca de 200 postos de trabalho para ir tornando o clube mais viável em termos financeiros mas com perspetiva de melhorar depois as condições para a equipa, para os jogadores e para os adeptos. “É ridículo”, comentou a Associação de Antigos Jogadores do clube. “Tem de ser”, terá defendido o patrão da Ineos, considerando que poucos conhecem a dimensão real do problema.
“Acho que é muito importante para nós, na equipa principal, treinadores e jogadores, não ignorarmos isso. As pessoas estão a perder os seus empregos, por isso temos de reconhecer isso. E o maior problema é a equipa de futebol, porque gastamos o dinheiro, não estamos a ganhar, não estamos na Liga dos Campeões, por isso as receitas não são as mesmas. As pessoas estão a perder os seus empregos… Isso afeta o ambiente, pelo que penso que não podemos ignorar. Reconhecemos esse problema e quero dizer que os responsáveis são a equipa principal”, assumiu Ruben Amorim, que tem sido cada vez mais criticado na imprensa inglesa.
“Foi uma boa semana até há dois dias. Tivemos alguns problemas. Não temos jogadores de volta, talvez tenhamos um ou outro problema mas estamos à espera. Também temos um jogador que adoeceu, portanto, vamos ver no fim de semana… Foi bom sentir os jogadores e tentar melhorar o desempenho. Se virmos a tabela, é impossível sentirmo-nos confortáveis. Só queremos ganhar, melhorar o nosso desempenho, porque somos o Manchester United e precisamos de ganhar o próximo jogo e melhorar. Não há conforto em nenhuma situação neste clube”, lançara na antecâmara do encontro decisivo frente à outra grande deceção da época em Inglaterra, o Tottenham, que chegava ao jogo deste domingo com dois pontos de desvantagem.
Para uns e para outros, a vitória era essencial e a primeira parte acabou por ser marcada pelo fator eficácia. O Tottenham dominou por completo na posse, o United conseguia colocar a bola com perigo no último terço de forma vertical em três/quatro passes, a diferença acabou por fazer-se na capacidade de encontrar a felicidade que ambos andaram à procura. Höjlund e Garnacho obrigaram o regressado Guglielmo Vicario a duas defesas fantásticas no mesmo lance antes da recarga de Diogo Dalot ser cortada na pequena área (10′), James Maddison aproveitou uma defesa incompleta de Onana para fazer o 1-0 numa recarga na área (13′). Ainda houve mais chances de parte a parte, com o avançado Mathys Tel, que esteve com um pé no United mas acabou por ser emprestado pelo Bayern ao Tottenham, em plano de destaque ficando perto do golo (26′).
Se o primeiro tempo tinha começado num ritmo infernal, a segunda parte não foi diferente. Os spurs tiveram melhores momentos nos minutos iniciais, com Onana a impedir mais uma vez o golo a Tel, os red devils não quebraram no plano anímico e continuaram em busca do empate, com Vicario a brilhar após remates de Diogo Dalot e Garnacho, em especial na segunda com uma intervenção complicada no chão mas que voltou a adiar o golo. Mais do que nunca, o Manchester United conseguiu ser uma equipa competitiva, a dividir o jogo e a criar situações de remate. Como se está a tornar regra, perdeu. Mais uma vez. E a oitava derrota de Ruben Amorim em 14 encontros da Premier League deixou a equipa no 15.º lugar da classificação…