O colombiano Diego Marin, considerado o “czar do contrabando” na Colômbia e detido em dezembro em Portugal, opõe-se à extradição para o seu país de origem, alegando perseguição política e “a garantia de que será executado”.
Diego Marín, de 62 anos, conhecido como “Papá Smurf” ou “Smurf”, é suspeito de liderar, desde 2023, uma rede criminosa que se dedicava ao contrabando e à prática de crimes contra a administração pública, subornando funcionários públicos de diferentes entidades.
Foi detido em 3 de dezembro na Póvoa de Varzim, distrito do Porto, após escapar de Espanha, quando aguardava, em liberdade, o desenrolar do pedido de extradição feito pelas autoridades colombianas.
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Na oposição à extradição enviada ao Tribunal da Relação do Porto (TRP), a que a agência Lusa teve acesso esta terça-feira, o homem, considerado o “maior contrabandista” da Colômbia, nega a prática de qualquer crime e apela às autoridades portuguesas para que não o extraditem para o seu país de origem, onde diz ter “uma pena de morte” à sua espera.
“A extradição do requerido [Diego Marín] e a eventual recusa da sua proteção internacional pelo Estado português equivale de forma garantida a uma pena de morte, embora contra si não conste nenhuma acusação por parte da Colômbia pelo cometimento de algum crime naquele território”, refere o documento, assinado pelo advogado Vítor Parente Ribeiro.
Marín, que está em prisão preventiva no Porto, tem ainda dois recursos pendentes: um relacionado com o pedido de asilo, já negado anteriormente pelas autoridades portuguesas, e outro no Tribunal Constitucional sobre os fundamentos da detenção, depois de o Supremo Tribunal de Justiça não ter admitido um primeiro recurso.
As autoridades da Colômbia querem acusar Diego Marín de contrabando, suborno e participação numa organização criminosa.
Em 31 de janeiro, o Presidente colombiano pediu a Portugal que extradite Diego Marín.
“Espero de Portugal a extradição do maior contrabandista da história contemporânea da Colômbia. O grande contrabando é o branqueamento de capitais dos grandes traficantes de droga”, escreveu Gustavo Petro, na rede social X.
Espero de Portugal la extradición del contrabandista más grande de la historia contemporánea de Colombia.
El gran contrabando es el lavado de activos de los grandes narcotraficantes.
El señor Diego Marín infiltró hasta la médula los gobiernos para mantener su destrucción de la… https://t.co/r7hbwdxjVr
— Gustavo Petro (@petrogustavo) January 31, 2025
Segundo o chefe de Estado, Marín “infiltrou-se nos governos até o âmago para continuar a destruição da indústria nacional e o branqueamento de capitais através do contrabando”.
Poucos dias depois, o Presidente colombiano negou qualquer ligação ou reunião com Diego Marín, que terá, supostamente, contribuído com uma grande quantia de dinheiro para a sua campanha eleitoral de 2022.
A reação de Gustavo Petro surgiu após órgãos de comunicação social colombianos noticiarem que ‘Smurf’ doou 500 milhões de pesos (cerca de 117 mil euros) à campanha presidencial, sublinhando que Petro e o novo chefe do Gabinete Presidencial, o ex-embaixador Armando Benedetti, se reuniram com Marín, em Espanha, em janeiro de 2022.
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“Nos últimos tempos, os órgãos de comunicação social da Colômbia lançaram boatos de que o requerido tinha apoiado financeiramente a campanha política do atual Presidente. Assim, o próprio Presidente da Colômbia, com vista a procurar demonstrar que tal não correspondia à verdade, passou a perseguir também ele o requerido. O requerido encontra-se a ser perseguido politicamente”, lê-se na oposição à extradição.
A defesa de Marín considera que Petro está “a exercer toda a pressão” para que o seu cliente seja extraditado.
“A intervenção do Presidente no pedido de extradição do requerido diz bem da falta de isenção e imparcialidade no processo de extradição. A falsidade destes processos conduziu a que o Estado colombiano colocasse em risco a vida, a segurança e a integridade do requerido e da sua família, os quais são submetidos a constantes ameaças contra sua vida”, denuncia Vitor Parente Ribeiro.
O advogado salienta que é o seu constituinte que “tem vindo a denunciar a corrupção existente” na Colômbia, razão pela qual “passou a ser pessoa ‘non grata’, perseguido pelo próprio Presidente da Colômbia, que assume a sua detenção como um assunto de cariz pessoal”.