Tiago Telo de Abreu, assessor da Câmara Municipal de Lisboa e ex-vereador do CDS em Elvas, está a ser investigado pelo crime de posse e partilha de pornografia infantil. A notícia é avançada pela TVI e CNN Portugal.

Segundo a investigação feita no programa Exclusivo, da TVI, o caso está há quase três meses nas mãos do Ministério Público do Seixal, na sequência de acontecimentos que remontam ao verão de 2023.

A TVI e a CNN Portugal chegaram à fala com “Ana”, uma mulher de Ponte de Sôr, descrita como uma peça-chave nestes acontecimentos. No verão de 2023, na aplicação de encontros Badoo, começou a conversar com um perfil de uma mulher chamada “Dália”, que afirmou que tinha uma filha de 12 anos.

“Ana” revela que, nas mensagens, a mulher afirmou que dava banho à menina. Numa primeira fase, “Ana” disse que “não via mal nenhum em dar banho, porque era filha”, mas que viu “qualquer coisa estranha logo aí na conversa”.

A TVI e a CNN Portugal mostram alegadas mensagens entre as duas mulheres. Devido ao tal pressentimento, “Ana” continuou a insistir na conversa. Revela que no mesmo dia o tom das mensagens intensificou-se ao ponto de “Dália” revelar que “lavava as partes íntimas e masturbava a criança”.

“Ana” tentou ao máximo manter a conversa e ganhar a confiança de “Dália”. “Ana” afirma que trocou mensagens com alguém que se fazia passar pela filha de “Dália”. Nas conversas vistas pela TVI e CNN, há um momento em que é mencionado que a criança teria sexo com adultos “a troco de um preço fixo: 1.500 euros”.

Quinze dias depois, “Ana” recebe um contacto de outro perfil, que se identificou como sendo Tiago Abreu, de 50 anos, e dizendo ser um funcionário da CML que afirmou ter amigos em comum com “Ana” — uma delas era “Dália”. Nas mensagens, esse perfil terá descrito atos sexuais com a filha da tal mulher.

“Ana” apresentou queixa à GNR de Ponte de Sôr e, segundo os canais de televisão, a denúncia foi encaminhada em junho de 2023 para a PJ de Setúbal.

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As suspeitas terão resultado em buscas à casa de Tiago Abreu, a 13 de maio. A TVI cita um mandado judicial, em que são referidas suspeitas sobre a “conversação” com o perfil “Dália”. A PJ apreendeu o telemóvel de Tiago Abreu e teve acesso às plataformas eletrónicas.

O assessor foi ouvido na altura na PJ de Setúbal e confrontado com várias fotografias de menores. Tiago Abreu confirmou que a conta de Instagram identificada pelas autoridades era a sua, admitindo que a apagou. Mas negou que as mensagens tivessem sido escritas pelo próprio. Foi também ouvida outra menor, de quem Tiago Abreu falaria em conversas e supostas fotografias partilhadas com “Ana”.

A investigação dos canais de televisão também menciona a queixa-crime por alegado abuso sexual da criança apresentada pela ex-mulher de Tiago Abreu, e mãe de uma das filhas do centrista.

Contactado pela TVI, Tiago Abreu nega as acusações e acusa a ex-mulher de subtração de menor. Mencionou também as cartas anónimas que denunciaram abusos sexuais enviadas aos presidentes de juntas e ao presidente da Câmara de Lisboa e restantes vereadores, falando em difamação. O Correio da Manhã avançou em janeiro a existência destas cartas — nessa altura, Tiago Abreu também negou essa informação.

Ainda à TVI, Abreu diz estar a viver um “pesadelo”, frisando que “isto não devia ser um processo crime, mas sim um processo de alienação parental de uma mãe em relação a um pai”. O assessor demitiu-se do cargo na Câmara de Lisboa após ter sido confrontado com a investigação, escrevem os dois meios de comunicação.