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Já era de noite em Telavive quando três autocarros vazios e estacionados em terminais explodiram, sem causarem quaisquer vítimas, nos subúrbios de Bat Yam (dois) e Holon (um). Foram encontrados dispositivos em outro dois veículos igualmente em Holon — desativados antes de rebentarem. As autoridades israelitas reagiram rapidamente e sem qualquer margem para dúvida: esta ação fazia parte de “ataque terrorista estratégico” e foram dadas instruções para reforçar as operações na Cisjordânia, de onde acreditam serem os alegados mentores do plano.

Os dispositivos detonados e desativados tinham cinco quilos de explosivos, segundo confirmou o porta-voz da polícia israelita, Asi Aharoni, aos media locais, escreve a Associated Press.  As bombas, de aparente fabrico caseiro, tinham temporizadores sincronizados estando prevista a detonação em simultâneo na manhã desta sexta-feira, em plena hora de ponta.

Dada a hora a que ocorreram as explosões, não foram registadas vítimas de ferimentos, sendo que o presidente da câmara de Bat Yam — subúrbio de Telavive e cidade em se deram as detonações — diz que é um milagre ninguém ter ficado ferido.

Segundo as mesmas fontes, um dos dispositivos teria uma mensagem onde se lia “Vingança por Tulkarem”, cidade da Cisjordânia onde, recentemente, as Forças de Defesa de Israel realizaram uma operação em grande escala.

O Channel 12 avança ainda que um dos dispositivos que não rebentou foi encontrado por um passageiro que avisou o motorista para uma bolsa suspeita. As autoridades ordenaram revistas a todos os autocarros do país e a segurança foi reforçada no aeroporto Ben Gurion, com inspeções a todos os autocarros que entram e saem da zona.

“Temos de determinar se um único suspeito colocou explosivos em vários autocarros ou se houve vários suspeitos”, afirmou outro porta-voz da polícia, Haim Sargrof, à televisão israelita. O mesmo sugeriu que os explosivos correspondem a material usado na Cisjordânia, mas não quis entrar em pormenores.

O Times of Israel noticiou também que um canal de Telegram que alegava representar o Batalhão Tulkarem lançou um comunicado no qual parecia assumir a responsabilidade pelas explosões. “A vingança dos mártires não será esquecida enquanto o ocupante [Israel] se mantiver presente na nossa terra. Esta é uma jihad de vitória ou de martírio”, diz a mensagem, segunda a mesma fonte. O batalhão com o nome do histórico campo de refugiados na Cisjordânia esteve anteriormente ligado ao braço armado da Jihad Islâmica Palestiniana, as Brigadas Al-Quds, um grupo aliado do Hamas na Faixa de Gaza.

Israel Katz, ministro da Defesa israelita, ordenou que as forças armadas do país avançassem com operações mais musculadas na Cisjordânia, algo que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ecoou na rede social X.

“Na sequência de uma tentativa de realizar uma série de ataques em massa em autocarros, o primeiro-ministro Netanyahu concluiu agora uma avaliação da situação com o ministro da Defesa, o chefe do Estado-Maior, o chefe do Shin Bet e o comissário da Polícia, e deu instruções às IDF para levarem a cabo uma poderosa operação na Judeia e na Samaria contra os focos de terrorismo“, lê-se no comunicado emitido pelo gabinete do primeiro-ministro no X, onde se explica ainda que o líder instruiu as autoridades policiais e os serviços secretos “para aumentarem a atividade preventiva nas cidades israelitas contra novos ataques terroristas”.

Já o ministro israelita da Defesa prometeu “perseguir os terroristas até um amargo final”, não deixando de responsabilizar o Irão por aquilo que Israel considera ser uma tentativa de ataque terrorista na área metropolitana de Telavive que o levou a ordenar o reforço das ações na Cisjordânia.

“À luz das graves tentativas de ataques terroristas por organizações terroristas palestinianas contra a população civil de Israel, instruí as Forças de Segurança de Israel a aumentar a intensidade das suas operações para travar o terror no campo de refugiados de Tulkarem e nos campos da Judeia e Samaria de maneira geral”, todos na Cisjordânia, anunciou em comunicado.

Katz garantiu que Israel vai “perseguir os terroristas até um final amargo e destruir as infraestruturas de terror existentes nos campos que servem como linha da frente do eixo iraniano do mal”. E deixou outro aviso: “Os residentes que patrocinem ou dêem abrigo a terroristas pagarão um preço elevado”.

[António Raminhos, Luís Filipe Borges e Marco Horácio são três “Homens de Uma Certa Idade” a discutir a vida “de forma sincera”. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]