É um verdadeiro desfile de presidenciáveis o que vai decorrer, no início da próxima semana, no auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, num encontro de dois dias organizado pela SEDES Jovem. A Convenção Pensar Portugal vai ter os candidatos às Presidenciais de 2026 já oficializados, Luís Marques Mendes e Mariana Leitão, mas também António José Seguro, Henrique Gouveia e Melo e também António Vitorino, que era, até aqui, o mais reservado deste grupo de nomes de que se fala para Belém.
A SEDES Jovem já tinha tido Seguro num debate em janeiro sobre a social-democracia, no ciclo de conferências sobre os 50 anos da Democracia. Agora, vai debater-se “o futuro do país” com cinco figuras que estão no centro de outro debate, o das presidenciais, cada um num painel ajustado ao seu perfil. No caso do socialista António Vitorino, que é o presidente do Conselho Nacional para as Migrações e Asilo, falará na terça-feira à tarde sobre “o futuro das políticas migratórias”.
No último mês, no grupo socialista que aguarda com expectativa a decisão de Vitorino sobre Belém apontava-se uma decisão para as “próximas semanas”, mas até aqui, o socialista tem estado em silêncio sobre uma candidatura sem, no entanto, exclui-la dos seus planos. É neste contexto que surge neste painel de debates e a meio de março estará nos Açores, numa iniciativa socialista também com a participação de jovens, a “Academia Novo Futuro”. O evento é organizado pelo PS Açores, uma parceira com JS Açores, os grupos parlamentares do partido nacional e regional e ainda do S&D (o grupo do partido no Parlamento Europeu).
No programa desse evento partidário está prevista a participação de António Vitorino no jantar-debate do dia 14 de março sobre “a importância da participação política”. Confrontado com este convite nesta altura, o líder do PS Açores diz ao Observador que “esta academia vai ter vários convidados, Pedro Siza Viera, Alexandra Leitão, Marina Gonçalves, Pedro Delgado Alves, Vasco Cordeiro, deputados europeus, portugueses e estrangeiros”. São “pessoas cujas competências ultrapassam largamente o campo partidário. Faz sentido, portanto, convidar alguém que, para além de ser um dos nossos melhores, tem reconhecidamente, no país e fora dele, um perfil político, jurídico e diplomático, quase ímpar no país.”
O outro socialista do grupo de presidenciáveis, António José Seguro, não está convidado para qualquer evento partidário — pelo menos, por agora — mas vai entrar no painel da SEDES Jovem desta segunda-feira dedicado ao “diálogo de gerações – A Sustentabilidade das Democracias”. Seguro estará ao lado da candidata presidencial apoiada pela Iniciativa Liberal, a líder parlamentar do partido Mariana Leitão, e também da deputada do PSD Ana Gabriela Cabilhas.
Candidatura de Seguro começa a rolar. Não espera “absolutamente nada” do PS, mas já junta tropas
No caso de Henrique Gouveia e Melo, o painel é sobre “o papel de Portugal no mundo” e o debate decorrerá na terça-feira à tarde, 15 minutos depois de terminar aquele em que participará Vitorino. O ex- Chefe de Estado Maior da Armada que, esta sexta-feira, publicou um artigo no Expresso a apresentar a sua linha de pensamento com vista a uma candidatura presidencial — que continua sem apresentar –, vai estar ao lado de Marcos Perestrello, o socialista que é atualmente vice-presidente da Assembleia da República e Presidente da Assembleia da NATO.
Já para Luís Marques Mendes ficará a abertura da Convenção, na segunda-feira, dia 24. Mendes é o único deste grupo que já fez a apresentação formal da sua candidatura presidencial e abre a Convenção para onde o presidente do conselho coordenador deste núcleo da SEDES, João Perestrello, diz que foram escolhidas “as pessoas de quem parece importante conhecer o pensamento sobre os desafios que se colocam ao país, no plano nacional e internacional.” Dos principais nomes já conhecidos ou falados para Belém, só não consta o de André Ventura, líder do Chega. Confrontado com esse facto, Perestrello diz que “os convites são feitos com base nos valores e princípios da SEDES.” A frente da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social está o socialista Álvaro Beleza, que vai encerrar a Convenção na terça-feira.
Arranque do debate presidencial quando ainda há dúvidas no PS
Na Faculdade de Direito vão juntar-se, assim, pela primeira vez no mesmo evento protocandidatos, uma candidata já anunciada e um candidato já oficializado para as presidenciais. Mendes foi o que avançou mais cedo, optando por formalizar a candidatura logo no início de fevereiro, um ano antes das presidenciais, apresentando-se na sua terra natal, Fafe, e com um discurso onde já ombreava com o almirante na reserva Gouveia e Melo, na disputa do espaço ao centro e da experiência política para o exercício do cargo presidencial, como contou o Observador nessa altura.
Gouveia e Melo tem aparecido como o mais bem colocado nas sondagens para as presidenciais do próximo ano e deu o tiro de partida para a sua candidatura na última sexta-feira, com o artigo já referido. Nesse texto valorizou a condição de um candidato apartidário, no que foi entendido como um ataque aos seus adversários diretos, ao defender que o país deve “querer um Presidente isento e independente de lealdades partidárias.”
No caso de Vitorino, o silêncio tem sido quase total e com poucas aparições em eventos públicos, nestes últimos tempos, mas essa agenda parece estar agora a intensificar-se. O movimento está a criar alguma expectativa entre os socialistas que defendem a sua candidatura a Belém e com quem o Observador falou. “Penso que não é apenas uma boa oportunidade de os ver a todos, juntinhos ao vivo”, graceja um desses socialistas.
Na área socialista, Seguro tem sido mais activo no terreno e este sábado tem um jantar em Celorico de Basto (curiosamente a terra da família do atual Presidente da República, que foi lá que apresentou as candidaturas a Belém) onde se espera uma audiência significativa, já ao estilo de campanha, conforme noticiou a Sábado esta quinta-feira. O socialista tem apontado a decisão sobre a candidatura para a primavera ou verão, mas no PS desconfia-se que esse calendário possa ser acelerado e Seguro seja mais claro sobre a sua posição antes disso, sendo certo que já prometeu que quando for para anunciar a decisão o fará no seu espaço de comentário semanal na CNN Portugal.
O PS vive na dúvida sobre o candidato a apoiar nas presidenciais que se segue e até já debateu o tema numa reunião da Comissão Nacional do partido há duas semanas. Nesse dia, o partido alargou o perfil do presidenciável, que até aí o líder Pedro Nuno Santos tinha definido sempre como focado na “experiência internacional” e passou para alguém com “capacidade de representar Portugal no Mundo”. Além disso, o partido não apareceu muito animado em entrar na discussão sobre apoios. Ainda que Seguro tenha sido o nome mais referido entre os participantes na reunião, foi sempre numa lógica que na altura foi descrita ao Observador desta forma: “Não há aversão, mas também não há entusiasmo.” Francisco Assis, um dos seus principais apoiantes, não particicpou na reunião do órgão de que faz parte.
O nome de António Vitorino tem sido, no entanto, mais referido como o preferido do topo do PS e ainda esta sexta-feira, no programa Expresso da Meia Noite, na SIC, a líder parlamentar Alexandra Leitão foi desafiada a dizer qual o seu preferido, evitando sempre responder directamente. Mas a dada altura acabou por afirmar que “António Vitorino é um excelente candidato”.
Já o presidente Carlos César, numa entrevista à CNN Portugal ainda antes da Comissão Nacional do PS, não escondeu a preferência entre os dois socialistas falados para essa corrida. Quanto a Seguro, descreveu-o apenas como “um militante, antigo dirigente, um antigo secretário-geral” que “não merece nenhuma manifestação de hostilidade” da parte do partido. E cobriu António Vitorino de elogios, à “experiência consolidada na governação europeia, internacional” do “comissário europeu, diretor de organizações internacional e ministro da Defesa”. E neste ponto acrescentou mesmo que “é preciso não esquecer que o Presidente da República é simultaneamente o chefe supremo das Forças Armadas e o representante do Estado português, exige um perfil que é preciso acautelar.”