Não é todos os dias que se conhece, passo a passo, uma estratégia de gestão de crises de um Governo. Mais raro ainda é que seja o próprio Governo, ainda que de forma inadvertida, a revelá-la ao grande público. No debate parlamentar de quarta-feira, que resultou no chumbo da moção de censura ao Executivo, António Leitão Amaro, ministro da Presidência, foi fotografado a segurar uma folha com as possíveis etapas do plano de comunicação do Executivo.
O documento começou a circular nas redes sociais e chegou rapidamente aos jornalistas e aos partidos da oposição. O Observador confirmou junto de fontes do Governo a veracidade do documento, captado pela lente do fotojornalista da Agência Lusa Manuel de Almeida. O que fonte oficial não confirma é que o plano de gestão de crises escrevinhado presumivelmente pela mão de António Leitão Amaro se mantenha aquele ou se sofreu algum tipo de alterações. Pelo contrário: o Observador sabe que é bastante possível que a estratégia tenha sofrido alterações e que estas sejam apenas notas preliminares.
LUSA
Do que se pode ver no documento, além do debate da moção de censura e da ida dos ministros às televisões (o que aconteceu ontem, quarta-feira), o Governo previa entregar as respostas às perguntas dos vários partidos sobre o caso Spinumviva já esta quinta-feira.
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Entre sexta-feira e segunda-feira, estava previsto que o primeiro-ministro desse uma entrevista televisiva — presume-se que à RTP, SIC ou TVI — para se expor ao escrutínio da comunicação social — recorde-se que Luís Montenegro tem sido acusado de fugir às perguntas dos jornalistas ao longo de todo este processo.
Para sexta-feira, estava também previsto um Conselho de Ministros que serviria para apresentar mais medidas para o país (o que reforça a narrativa que o Governo está a tentar impor de que continua focado em governar independentemente da crise política).
O documento de António Leitão Amaro termina com um último ponto e que é, precisamente, o debate da moção de confiança — que deve acontecer algures entre terça e quarta-feira. Mais uma vez: segundo apurou o Observador, é possível que este plano tenha sofrido alterações; mas, mesmo como rascunho, não deixa de ser um documento político relevante.