O Governo aprovou em Conselho de Ministros um pacote de 31 obras rodoviárias, algumas das quais ficaram “durante muito tempo na gaveta”, segundo afirmou, esta segunda-feira, o ministro da Presidência. António Leitão Amaro indicou que este plano inclui também estudos de base que permitam fazer passar os projetos para a fase seguinte.

O único projeto referido foi a ligação em perfil duplo (duas vias para cada sentido) entre Coimbra e Viseu, mas o Observador sabe que o pacote inclui o estudo de uma travessia rodoviária através de túnel entre Algés e Trafaria. Este trabalho será desenvolvido pela Infraestruturas de Portugal.

Contactado pelo Observador, o Ministério das Infraestruturas remete para esta terça-feira mais detalhes sobre as 31 obras aprovadas no Conselho de Ministros que se realizou na véspera da votação da moção de confiança ao Governo.

De acordo com o jornal Económico, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, já tinha referido a intenção de avançar com esta travessia numa conferência organizada pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) em fevereiro.

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A concretizar-se, esta travessia teria um horizonte temporal de execução mais longo do que o da ponte Chelas/Barreiro, já estudada e prevista para as ligações ferroviárias, mas também como acesso complementar rodoviário ao novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete. O estudo sobre esta travessia, para a qual tem sido apontado um perfil de túnel submerso, terá de começar praticamente do zero, uma vez que não existe trabalho sério, fundamentado e com alguma atualidade sobre esta possibilidade.

No entanto, a proposta para construir uma travessia rodoviária neste corredor data já do final do século passado e foi feita pela Lusoponte, a concessionária das duas pontes sobre o rio Tejo. O projeto então estimado em cerca de mil milhões de euros nunca avançou, apesar de ter chegado a ser admitido por alguns ministros, como António Mexia, que ocupou a pasta das obras públicas no final de 2004.

O engenheiro sonha e as pontes aparecem… no papel

O elevado grau de congestionamento da ponte 25 de Abril e a constatação de que até um terço dos automobilistas que atravessam o rio têm como destinos os concelhos de Sintra, Cascais e, sobretudo de Oeiras, onde muitos trabalham, são argumentos já usados no passado para defender o interesse desta opção. Do ponto de vista rodoviário, a obra faz sentido porque permitiria estender a CRIL (que acaba em Algés) até às ligações rodoviárias da margem Sul.

O facto da concessão da Lusoponte terminar em 2030 também é um estímulo adicional, na medida em que o atual contrato tem o exclusivo da exploração das travessias rodoviárias do Tejo, o que obrigaria, no mínimo, o Estado a compensar a concessionária caso quisesse avançar com um projeto independente.

Mas há outras questões que se levantam, nomeadamente ao nível da solução de engenharia e da dificuldade de execução, bem como preocupações de ordenamento de território e ambientais. Do outro lado fica a Costa da Caparica, uma zona balnear muito procurada e onde existe já grande pressão imobiliária.