Oksana Chusovitina já não precisava de muito mais para fazer história. Aos 49 anos, o facto de já ter representado três países diferentes, de ter duas medalhas olímpicas e de já ter participado em oito edições dos Jogos Olímpicos era mais do que suficiente para a inscrever na lista de atletas mais marcantes das últimas décadas. Mas a verdade é que Oksana Chusovitina não consegue parar.
No último fim de semana, a ginasta do Uzbequistão conquistou a medalha de ouro no cavalo da etapa da Taça do Mundo de Baku, superando a eslovena Teja Belak e a também uzbeque Tjasa Kysselef com uma execução perfeita de um Tsukahara com pirueta e meia. A três meses de completar 50 anos, juntou o ouro ao bronze que já tinha alcançado na etapa de Cottbus, em fevereiro, e no total já soma 17 medalhas em 21 presenças no circuito mundial.
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Depois de ter falhado os Jogos Olímpicos de Paris por lesão, Oksana Chusovitina não esconde que o objetivo é estar nos Jogos Olímpicos de Los Angeles — em 2028, onde terá 53 anos. “O meu objetivo número um é chegar lá. Mas ainda falta muito tempo, não consigo pensar tão à frente. Estou a ir passo a passo, de uma competição para a seguinte, porque também tenho outras atividades para lá da ginástica”, explicou, depois de subir ao pódio em Baku.
“A lesão esvaziou-me mentalmente porque estava a preparar-me muito e os Jogos Asiáticos eram em Tashkent [capital do Uzbequistão]. Queria ter um bom desempenho em frente ao meu povo, mas, infelizmente, não aconteceu. E isso matou a minha moral. Mas estou bem. Consegui recuperar-me pouco a pouco e acho que as coisas tinham de acontecer desta maneira para que pudesse levantar-me e continuar a avançar”, acrescentou a ginasta, que há alguns anos abriu uma escola no Uzbequistão e também é treinadora de crianças.
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A história de Oksana Chusovitina, porém, tem centenas de capítulos. Nascida nos anos 70 na então União Soviética, a ginasta começou precisamente a representar os soviéticos como júnior e nos primeiros anos enquanto sénior. Em 1992, nos Jogos Olímpicos de Barcelona, fez parte da Equipa Unificada que juntou os atletas da União Soviética que tinha acabado de cair e conquistou a medalha de ouro por equipas. Quatro anos depois, porém, a vida da ginasta deu uma grande volta.
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Em 2002 e com apenas três anos, o filho de Oksana Chusovitina foi diagnosticado com leucemia aguda. Em busca de um tratamento evoluído para Alisher, a ginasta e o marido acabaram por aceitar o convite de Shanna and Peter Brüggemann, o casal que orientava o Toyota Cologne Club, e mudaram-se para a Alemanha. Chusovitina começou a treinar com a seleção alemã e quatro anos depois, concluído o processo de cidadania, passou a representar o país em que vivia.
Estreou-se nos Mundiais de 2006, com uma medalha de bronze no cavalo, e nos Jogos Olímpicos de Pequim assegurou a prata no mesmo aparelho. Ainda representou a Alemanha em Londres, nos Jogos de 2012, e nesse mesmo ano acabou por anunciar que iria retirar-se das competições e dedicar-se ao ensino. Não aconteceu: regressou ao Uzbequistão, voltou a treinar e foi com as cores do país em que nasceu que esteve tanto no Rio 2016 como em Tóquio 2020, alcançando as tais oito presenças em Jogos Olímpicos.
Agora, o objetivo é claro — e passa por chegar a Los Angeles. Antes disso, porém, há um 50.º aniversário para comemorar. “Temos uma competição em Tashkent nessa altura, será uma etapa da Taça do Mundo e quero mesmo competir ali. Estou a fazer figas. O mais importante é não ter lesões e manter-me saudável. Os Jogos… Se acontecer, aconteceu”, termina.