“A União Europeia, uma das autoridades fiscais e tarifárias mais hostis e abusivas do mundo, que foi formada com o único objetivo de se aproveitar dos Estados Unidos, acaba de colocar uma desagradável tarifa de 50% sobre o whisky”, escreveu Donald Trump na sua rede social Truth Social.
“Se esta tarifa não for imediatamente eliminada, os Estados Unidos aplicarão em breve uma tarifa de 200% a todos os vinhos, champanhes e produtos alcoólicos provenientes de França e de outros países representados pela União Europeia. Isto será ótimo para as empresas de vinho e champanhe nos EUA”, concluiu.
Em causa está o anúncio desta quarta-feira por parte da Comissão Europeia, que anunciou a imposição de contramedidas no valor de 26 mil milhões de euros (28 mil milhões de dólares) sobre bens americanos, sendo especialmente visados produtos como calças de ganga e whiskey Bourbon.
Estas medidas, por sua vez, foram uma resposta às tarifas alfandegárias de 25% impostas pelos Estados Unidos às importações de aço e alumínio.
A UE, porém, fez saber que continua aberta a negociações, considerando que o aumento dos direitos aduaneiros não é do interesse de ninguém.
Desde a entrada em funções, Donald Trump tem recorrido às tarifas, utilizando-as como instrumento de negociação com os parceiros comerciais dos Estados Unidos, como incentivo à instalação de empresas no país e como fonte de receitas para as finanças federais.
O anúncio da Comissão Europeia de tarifas de retaliação “fortes, mas proporcionais” sobre uma série de produtos importados dos Estados Unidos preocupou os produtores europeus de bebidas alcoólicas.
Este produtores pediram à UE e aos Estados Unidos que deixassem o seu setor “fora das suas disputas”, um pedido que claramente não foi ouvido pela Casa Branca.
A Spirits Europe – o lóbi desta indústria europeia – reagiu ao anúncio de Donald Trump, dizendo estar “profundamente desapontada” e “extremamente preocupada” por ver os impostos europeus sobre as bebidas destiladas norte-americanas aumentados “como parte de uma guerra contra o aço e o alumínio, não relacionada” com este setor.
Um acordo transatlântico de 1997 eliminou as barreiras alfandegárias, o que permitiu um crescimento do comércio deste setor em 450% até 2018, quando o anterior Governo de Trump lançou a sua primeira guerra comercial.
Os Estados Unidos representam o maior mercado internacional do setor.
As vendas francesas aumentaram 5% em 2024, atingindo os 3,8 mil milhões de euros, principalmente com exportações de vinho e conhaque, de acordo com a Federação Francesa de Exportadores de Vinhos e Bebidas Destiladas.