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Ex-Presidentes do Botswana e da Colômbia, Mondlane e outros políticos internacionais foram impedidos de entrar em Angola durante oito horas

Este artigo tem mais de 1 ano

Uns foram retidos mais de 8 horas no aeroporto, outros deportados. Políticos como ex-líderes do Botswana e Colômbia, o vice-presidente da Tanzânia ou Mondlane dirigiam-se a encontro sobre democracia.

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Ian Khama, antigo Presidente do Botswana foi um dos políticos retidos no aeroporto de Luanda durante oito horas sem "comida ou água", disse ao Observador

AFP via Getty Images

Ian Khama, antigo Presidente do Botswana foi um dos políticos retidos no aeroporto de Luanda durante oito horas sem "comida ou água", disse ao Observador

AFP via Getty Images

Vários políticos africanos e sul-americanos ficaram esta quinta-feira retidos no aeroporto de Luanda, impedidos de entrar em Angola, e um grupo de dez, incluindo senadores do Quénia e o vice-presidente do Parlamento do país, e sudaneses, foram deportados na companhia aérea etíope para Adis Abeba. Aterraram no aeroporto internacional 4 de fevereiro para se dirigirem depois para Benguela, para participar numa conferência sobre “O Futuro da Democracia em África”.

O opositor moçambicano Venâncio Mondlane, bem como os seus dois assessores, Dinis Tivane e Luís Mariquelle foram separados dos restantes políticos ao início da tarde, e durante várias horas “não se soube onde estavam” confirmou ao Observador a investigadora portuguesa Paula Cristina Roque, que estava no local. “Acabaram por ser deportados para Joanesburgo, na África do Sul”, acrescentou já ao final da tarde.

Advogado de Venâncio Mondlane assegura que político moçambicano não está em fuga

Um outro grupo de 26 políticos, como Ian Khama, o reputado antigo Presidente do Botswana, filho do primeiro líder do país, o ex-Presidente da Colômbia. André Pastrana, o vice-presidente da Tanzânia e o ex-primeiro-ministro do Lesotho, por exemplo, estiveram cerca de oito horas numa parte isolada do aeroporto, sem poder sair.

“Estamos retidos no aeroporto há seis horas, até agora, sem qualquer explicação. Onde estamos agora não há qualquer provisão de comida ou água”, escreveu Ian Khama numa mensagem enviada ao Observador.

Duas horas depois, e após ter entrado em contacto com o chefe de gabinete do Presidente angolano, Ian Khama conseguiu sair do aeroporto, tendo o protocolo de Estado enviado um carro para o levar. No entanto, segundo um elemento da UNITA presente, Ian Khama, desistiu da participação na conferência para a qual foi convidado.

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Nesse vídeo partilhado pelo grupo parlamentar da UNITA, vê-se Khama a entrar no carro enquanto uma deputada do partido angolano revela que o ex-Presidente se sentiu humilhado pelo governo angolano, “pois nunca em momento algum da sua carreira diplomata foi tratado como em Angola”.

As outras delegações acabaram também por ser autorizadas a sair, estando carros do protocolo de Estado à porta do aeroporto para os levar para diferentes hotéis.

Já ao final da tarde o antigo Presidente colombiano conservador tinha dado conta da situação na sua rede social X. E horas antes tinha prestado declarações a uma rádio do seu país dizendo que não sabia para onde o levavam.“Não sei para onde me levam, quem é que vem para aqui, porque é que estou aqui? Estou aqui há uma hora (…) Estão a levar-me para um quarto, não sei para onde me estão a levar”.

Por volta das 18h00, em Luanda, alguns dos políticos que era suposto entrarem num avião para se digirem para Catumbela, perto de Benguela, onde irá decorrer a conferência internacional sobre democracia nesta sexta-feira, para a qual viajaram para Angola, foram impedidos de apanhar o avião. Entre eles estava Leopoldo López, opositor do regime de Nicolás Maduro, na Venezuela e o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do Sudão, por exemplo.

Tanto os políticos que foram deportados quanto os que foram retidos no aeroporto internacional de Luanda ficaram sem os passaportes diplomáticos, explicou a investigadora Paula Cristina Roque. De qualquer forma, como membros que são da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês), não necessitavam de visto para entrar em Angola, que por sinal, assume este ano a presidência da União Africana.

Estas figuras políticas chegaram a Luanda num avião da Ethiopian Airlines, a convite de três organizações internacionais — Benthurst Fondation, Konrad Adenuer e World Liberty Congress —,  para participar numa grande conferência sobre democracia e governação que se realiza na sexta-feira em Benguela e tem como anfitrião local o principal partido da oposição angolana, a UNITA. Alguns dos participantes fazem parte da Internacional Democrata Centrista.

O ex-candidato presidencial da Tanzânia, líder do partido Chadema, criticou no X  o incidente diplomático: “Este tratamento indigno dos cidadãos de nações africanas irmãs por parte das autoridades angolanas da imigração é totalmente inaceitável e deve ser condenado com a maior veemência possível”, escreveu Tundu Lissu.

Lembrando os laços que ligam a Tanzânia a Angola, o também deputado frisou que a delegação vinda de Zanzibar não precisa de visto:

“A Tanzânia acolheu o Dr. António Agostinho Neto e os seus combatentes do MPLA nos primeiros anos da sua luta pela independência. Apoiámos Angola em todos os momentos durante a ocupação do sul de Angola pelo regime do apartheid sul-africano nos anos 70 e 80. Tal como Angola, a Tanzânia é um Estado membro da SADC e, como tal, nós, tanzanianos, não precisamos de visto para entrar em Angola”.

Os políticos viram os seus passaportes serem apreendidos sem que lhes tivessem sido dadas explicações, confirma ao Observador fonte ligada a um dos elementos da comitiva.

Já em Adis Abeba, um dos senadores do Quénia que foi deportado, Edwin Sifuna, lamentou no X o sucedido dizendo ser uma “vergonha” que tenham sido tratados desta forma por Angola quando o país assume a presidência da União Africana.

O Observador tentou obter uma explicação por parte do Governo de Angola mas até às 23h não obteve qualquer resposta.

Texto corrigido às 16h39: o opositor venezuelano Leopoldo López não foi um dos retidos no aeroporto como foi inicialmente escrito. Saiu sem problemas mas viria mais tarde a ser impedido de embarcar para Benguela

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