O Amália, o modelo de linguagem (LLM) em português europeu, deverá ter uma “versão inicial no final deste trimestre”, revelam ao Observador dois investigadores que participam no projeto. O LLM funcionará apenas em português europeu, para garantir a “representatividade cultural”, com dados do Arquivo.pt.

André Martins, do Instituto Superior Técnico, e João Magalhães, da FCT Nova, indicam que o projeto “está a avançar como previsto”. Assim, preveem que seja possível cumprir o prazo que foi estabelecido em novembro, quando o projeto do LLM foi anunciado — ter uma versão beta no final do primeiro trimestre de 2025, agora em março.

Porém, esta versão inicial não chegará ao público. “Esta versão não vai ainda ser disponibilizada publicamente, vai ser testada pelos vários parceiros do projeto”, explica André Martins, que além de professor no Técnico é também investigador no Instituto de Telecomunicações, outra das entidades que foi anunciada como estando envolvida no projeto.

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O nome do modelo é, na verdade, a sigla para Assistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial. André Martins confirma que o facto de o Amália usar o EuroLLM-9B, outro modelo de linguagem, como precursor permitiu acelerar o trabalho para a primeira versão. “A primeira versão do Amália usa como base o EuroLLM-9B que é afinado em dados na variante europeia do português”, explica por email. “O EuroLLM foi treinado por um consórcio que inclui membros do projeto Amália no âmbito de uma “extreme-scale” grant [bolsa] do EuroHPC (a infrastrutura de supercomputação europeia) de 1,7 milhões de horas-GPU atribuída numa call internacional competitiva, que decorre no supercomputador Mare Nostrum 5, localizado em Barcelona.”

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Já João Magalhães, da FCT Nova, acrescenta  “que o trabalho desenvolvido no modelo Glória e V-Glória” também “contribui para o rápido avanço inicial do Amália”. Os modelos mencionados pelo investigador são de menor dimensão, ou seja, têm menos parâmetros — as “unidades” que são usadas durante o treino dos modelos e que permitem ter contexto sobre o tamanho do modelo. O Amália será composto por 9 mil milhões de parâmetros. “O bom progresso do primeiro trimestre” no Amália, afirma João Magalhães, “resulta da junção destes esforços” dos modelos.

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No início da semana, o jornal Público avançou que o Governo teria voltado atrás no projeto e que, afinal, as universidades nomeadas não teriam ainda a garantia de desenvolver o Amália. Segundo o diário, o “procedimento de contratação” ainda estaria a ser preparado, com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) a avaliar o papel dos centros de investigação envolvidos. “Não confirmo essa informação”, diz o investigador André Martins. “O projeto é liderado pela Universidade Nova de Lisboa e pelo Instituto Superior Técnico e conta com a participação de várias outras entidades académicas, conforme previsto.”

O Observador contactou o Ministério da Juventude e Modernização (MJM) e o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), que são responsáveis pela coordenação do projeto, para obter respostas a várias questões sobre o ponto de situação do projeto, quais as entidades envolvidas e se está ou não a ser feita uma averiguação por parte da FCT. Até ao momento não foi dada qualquer resposta. Contactada, a Fundação para a Ciência e Tecnologia, uma das envolvidas no projeto, remeteu esclarecimentos para o MJM.

O Center for Responsible AI, outra das entidades envolvidas no projeto, também não respondeu às questões.

O projeto do LLM Amália foi anunciado por Luís Montenegro na Web Summit, em novembro de 2024. Está previsto um investimento de 5,5 milhões de euros, a que “acresce o vasto investimento já realizado em infraestrutura de computação, projetos de desenvolvimento e recursos humanos especializados que contribuirão em grande medida para o desenvolvimento do LLM”, segundo uma nota do Ministério de Margarida Balseiro Lopes, de 29 de novembro.

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O financiamento do projeto estará “exclusivamente destinado às entidades públicas envolvidas no desenvolvimento do Amália”, foi ainda acrescentado.

Na altura, foi apresentado um calendário de operacionalização do modelo: a primeira versão (beta) era prevista para o final do primeiro trimestre de 2025, a versão base no final do terceiro trimestre de 2025 e a versão multimodal só no segundo trimestre de 2026.