“2024 foi um ano memorável para a Sonae”. Assim começa Cláudia Azevedo, presidente do grupo, o relato do ano passado em que registou uma subida das vendas em 18%, para atingir os 9,9 mil milhões de euros.
Este crescimento, segundo a empresa, foi possível pelo “desempenho robusto dos nossos principais negócios, bem como por movimentos estratégicos no portefólio, nomeadamente as aquisições da Musti e da Druni”.
O EBITDA subjacente aumentou 26% para 908 milhões de euros. E com isso o EBITDA consolidado atingiu mil milhões de euros, mais 4%.
Os lucros atingiram 223 milhões de euros, uma queda de 37%, por ter registado no ano anterior (2023) uma mais-valia que elevou os resultados líquidos. Numa base comparável, os lucros teriam subido 18%. Os acionistas da Sonae, sendo principal a família Azevedo, vão receber, se aprovado em assembleia-geral um dividendo de 5,921 cêntimos por ação, mais 5%.
“Temos de estar sempre a olhar para o futuro e ser a referência no setor onde estamos”, aponta Cláudia Azevedo. A Sonae comemorou 65 anos em 2024. “Todos os anos quando fazemos a fotografia dos nossos negócios alguma coisa mudou”, aponta a presidente executiva da Sonae, recordando as aquisições que foram sendo feitas.
Na MC, que é o negócio de distribuição alimentar, “somos cada vez mais líderes no retalho alimentar”, e o crescimento aconteceu pelo aumento de volume (a inflação no retalho alimentar, segundo João Dolores, foi de 1%). A loja de Matosinhos faz, este ano, 40 anos. A Sonae tem mais de mil lojas Continente e outros formatos. A Sonae diz-se ainda líder no retalho da saúde e bem-estar e na eletrónica (Worten). Só ao nível da MC, as vendas foram de 7,6 mil milhões.
A Sonae salienta, por outro lado, os investimentos da Sparkfood, que olha para tecnologias alimentares inovadoras.
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Nesta onda de aquisições, a Sonae salienta a compra por parte da Nos, sua participada, da Claranet.
“Foi um ano intenso do ponto de vista de investimento”, salienta, em conferência de imprensa, João Dolores, administrador financeiro, que resume: volume de negócios recorde, rentabilidade sólida e reforço de investimento.
“São resultados que muito nos orgulha”, aponta João Dolores.
No arranque da conferência de apresentação de resultados, Cláudia Azevedo apontou para o ano recorde em várias áreas. A Sonae realizou, em 2024, 1.600 milhões de euros em investimento, dos quais 400 milhões em Portugal (excluindo os 400 milhões da Nos). “Preparadíssimos para um futuro risonho”, declara a CEO.
No entanto, salienta que em 2025 esses valores de investimento não devem ser alcançados. A dívida aumentou, salienta Cláudia Azevedo. “A conjuntura em Portugal era muito favorável. Agora vamos ver o que acontece no resto do ano”, assume Cláudia Azevedo, falando das eleições como o ano perdido para Portugal. 2025 será, disse, “um ano perdido para Portugal e um ano em que Portugal tinha muito que fazer”.
“Os portugueses estão um bocado fartos das polémicas que envolvem políticos. Ouvir a Assembleia da República na televisão é uma coisa que não recomendamos a ninguém. A prioridade é governar e não a entrar em polémica uns com os outros. Uma coisa que me preocupa é as pessoas acharem que os partidos são todos iguais”, deixando a mensagem que os partidos devem concentrar-se no que é relevante, aponta Cláudia Azevedo.