Depois de quase um mês inteiro de chuva, os últimos dias de março trazem finalmente calor de primavera. Este sábado será mesmo um dia quente e praticamente sem nuvens em todo o país. Mas, durante quase duas horas, o Sol vai estar encoberto — mais precisamente entre entre as 9h36 e as 11h29. Não por nuvens, mas pela Lua: precisamente 19 anos depois, Portugal vai voltar a poder assistir ao eclipse solar parcial. Será o primeiro de uma série de fenómenos astronómicos visíveis em Portugal até agosto de 2026.

Neste sábado a Lua vai tapar a visibilidade do Sol, cuja aparência ficará parecida com a da Lua crescente, devido a um alinhamento quase perfeito da Lua e do Sol com a Terra.

Trata-se de um pequeno aperitivo para o eclipse quase total do Sol visível em Portugal a 12 de agosto de 2026 que, segundo o Observatório Astronómico de Lisboa, esse sim, “fará um furor completo” no mundo. Por cá, só será visto em Bragança e na zona norte do País.

Onde e quando será possível ver o eclipse deste sábado?

Em todo o país. Ainda assim, o Arquipélago dos Açores será a zona do território onde o eclipse parcial solar será mais visível. Em Ponta Delgada, mais de metade metade da área do Sol ficará coberta pela Lua, atingindo uma taxa de cobertura cerca de 58%. Em Lisboa, esse valor rondará os 40% e terá o seu valor máximo por volta das 10h30 de sábado, sendo que a redução da luminosidade nesse momento será cerca de 29%.

No resto do país, as horas de início e fim do fenómeno, tal como a percentagem de cobertura do Sol, não vão variar de forma substancial. Será nas localidades na ponta noroeste do país — por exemplo, no Minho —, que a maior a parte do Sol ficará coberta pela Lua.

Eclipse solar parcial Portugal 27/03

Por volta das 9h30 deste sábado, o eclipse solar parcial vai começar a ser visível em Portugal continental

Eclipse solar parcial Portugal 27/03

Por volta das 10h40 deste sábado, o eclipse solar parcial vai atingir o seu clímax em Portugal continental

Eclipse solar parcial Portugal 27/03

Por volta das 11h30 deste sábado, o eclipse solar parcial vai deixar de ser visível em Portugal continental

O eclipse será visível em quase todo o mundo, mas apenas será total (com uma ocultação superior a 90%) para uma população de 45 mil pessoas, no nordeste do Canadá, de acordo com o El País.

Previsão meteorológica é favorável para ver eclipse?

Sim.O IPMA prevê esta quinta-feira que na manhã de sábado o continente vai ter “céu pouco nublado ou limpo, apresentando períodos de mais nebulosidade nas regiões do litoral até início da manhã”. Por outro lado, para a Madeira prevê-se “períodos de céu muito nublado”, enquanto para os Açores se espera “períodos de céu muito nublado com abertas”. Ou seja, a hipótese de o Sol ser tapado apenas pela Lua e não pelas nuvens é muito provável em todo continente, num dia de Primavera, em que as máximas devem ultrapassar em muitas cidades os 20ºC (há previsões de 24ºC para Santarém e Setúbal e de 23ºC para Lisboa, por exemplo), naquele que será o primeiro dia verdadeiramente de calor. Já nas ilhas, pode haver alguma dificuldade para ver o fenómeno astronómico, se a meteorologia não colaborar.

O Observatório Astronómico de Lisboa garante que “se o céu estiver limpo na sua região conseguirá ver com facilidade o eclipse”, pelo que a previsão de uma boa visualização é mais animadora para Portugal continental.

Um ponto alto é o melhor local para observar o eclipse, uma vez que à hora em que acontece, já a meio da manhã de sábado, o Sol já irá alto no céu, e será mais fácil de observar de uma serra ou de um simples terraço.

Como ver o eclipse de forma segura?

Com cuidado. Para aqueles que quiserem testemunhar o fenómeno diretamente é recomendado o uso de óculos próprios, que protejam a vista humana dos danos causados pela radiação visível, infravermelha e ultravioleta. “Uma má utilização dos filtros solares ou de aparelhos de observação, assim como a observação directa, podem causar cegueira instantânea ou gradual sem regressão”, lê-se na página online do Observatório Astronómico de Lisboa.

Só através desses filtros se deverá fazer a observação do eclipse e, mesmo assim, “não [se] deve fazer uma observação continuada do Sol”, acrescentam. Aconselha-se também que os filtros solares especializados sejam colocados à frente dos óculos, para quem os usa, e que não se esforce a vista.

Estes óculos são vendidos nas farmácias ou outros locais com autorização e produtos devidamente homologados. Não se devem usar apenas os óculos de sol normais, muito menos radiografias ou os velhos negativos dos rolos de fotografias (para quem ainda sabe do que se trata).

[Já saiu o segundo episódio de  “O Misterioso Engenheiro Jardim”, o novo Podcast Plus do Observador que conta a história de Jorge Jardim, o empresário que, na verdade, era um agente secreto que liderou missões perigosas em todo o mundo, tentou criar um país e deu início a um clã de mulheres aventureiras. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E pode ouvir aqui o primeiro episódio]

Estes eclipses são comuns?

Nem por isso. No dia 29 de março de 2006 também foi possível avistar um eclipse solar parcial em Portugal. Desde então, já houve mais cinco eclipses visíveis no país, mas não deste género. O facto deste acontecer exatamente no mesmo dia não é coincidência. Trata-se de um ciclo metónico, uma ocorrência astronómica que faz com que a cada 6.939,69 dias (quase exatamente 19 anos) a Lua volte a coincidir na mesma posição (em relação à Terra e Sol) no mesmo dia do ano, na mesma região da Terra, explica o astrónomo Alejandro Sáchez ao El País.

Como o cálculo não perfaz 19 anos certos, por vezes o eclipse solar salta um dia. Antes de 2006, este tipo de eclipse tinha acontecido a 29 de março de 1987 e 28 de março de 1968.

Que outros fenómenos se seguem?

Mais dois até 2028. O eclipse solar parcial deste sábado é o início de uma sequência de fenómenos astronómicos raros num período de 1.033 dias.

Haverá um eclipse solar total a 12 de agosto de 2026, mas acontecerá muito perto do pôr do Sol, pelo que terá pouca visibilidade. Na sua totalidade, só será visível na norte do País, como em Bragança, de resto será parcial. Acontecerá entre as 18h30 e as 20h42.

Depois, um eclipse anular, em que a Lua tapa o centro do Sol, formando um anel de luz — será a 26 de janeiro de 2028 e pode ser observado a Sul, sobretudo no Alentejo e Algarve, mas também na Madeira. Começa às 14.05 e termina às 19h08. Faro, Beja, Évora e Setúbal — além de toda a ilha da Madeira, terão a possibilidade de o ver na sua plenitude. No resto do país será parcial.

E haverá outros eclipses este ano?

Sim. A 7 de setembro haverá um novo eclipse lunar. Desta vez será total. O fenómeno começa às 19h45 e termina às 21h55 e será visível em todo o país.