O mês de fevereiro foi terrível para Sérgio Conceição. Entre a eliminação da Liga dos Campeões, frente ao Feyenoord, o AC Milan perdeu três vezes consecutivas contra Torino, Bolonha e Lazio e complicou as contas na Serie A. Março, porém, trouxe esperança — e duas vitórias seguidas, contra Lecce e Como, que acalmaram todos os que já antecipavam o despedimento do treinador português.

Esta semana, depois de alguma acalmia proporcionada pela pausa para os compromissos das seleções nacionais, os jornais italianos fizeram notícia com a presença de alguns elementos da direção do AC Milan no treino da equipa principal. Sérgio Conceição, muito ao seu estilo, desvalorizou — e lembrou que não está permanentemente a olhar por cima do ombro.

“Não preciso de confiança. Sei que dependo dos resultados e não sou nenhuma criança que precisa de que o pai diga que o adora. Não sou um fraco que precisa de ser tranquilizado. Falo com a direção todos os dias e trabalhamos num ambiente saudável. Acredito que podemos chegar ao quarto lugar, senão não estaria aqui”, disse o treinador português, que entrava para este fim de semana a nove pontos da posição que dá acesso à Liga dos Campeões da próxima temporada.

Ora, era neste contexto que, este domingo, o AC Milan visitava um Nápoles que tinha vencido apenas uma vez nos últimos sete jogos, mas que continua atrás da liderança do Inter Milão. Sérgio Conceição deixava Rafael Leão no banco e apostava em João Félix, Reijnders e Pulisic no apoio a Tammy Abraham, enquanto que Antonio Conte tinha Politano, Lukaku e David Neres no setor mais adiantado.

A equipa de Sérgio Conceição começou praticamente a perder, com Politano a receber um grande passe longo de Di Lorenzo para ficar isolado na cara de Mike Maignan e abrir o marcador logo nos instantes iniciais (2′). O segundo golo do Nápoles apareceu ainda antes da meia-hora, com um remate dentro da grande área depois de uma boa arrancada de Billy Gilmour (19′), e o AC Milan foi a perder para o intervalo na sequência de 45 minutos francamente pobres.

O treinador português mexeu logo ao intervalo, trocando Warren Bondo por Rafael Leão, e só demorou mais dez minutos a lançar Santiago Giménez e Chukwueze. O AC Milan estava claramente melhor, muito devido à intensidade e velocidade aplicada pelo recém-entrado avançado português, mas o golo não aparecia e os minutos iam passando sem que os rossoneri conseguissem sequer reduzir a desvantagem.

Santiago Giménez desperdiçou uma grande penalidade, permitindo a defesa de Alex Meret (69′), e a equipa de Sérgio Conceição só conseguiu marcar já demasiado perto do fim, por intermédio de Luka Jovic (84′), mas não fugiu à derrota: o AC Milan perdeu com o Nápoles, voltou aos resultados negativos e mantém-se a nove pontos do quarto lugar da Serie A e da Liga dos Campeões, complicando as aspirações europeias.