É mais um projeto lançado em duplo ano de eleições — autárquicas e legislativas. Uma nova linha de elétrico entre o Terreiro do Paço e o Parque Tejo em Loures numa extensão de 12 quilómetros com uma novidade em relação a outros elétricos — um corredor exclusivo para circular.
O investimento de 160 milhões de euros foi apresentado esta terça-feira numa cerimónia no Parque das Nações que juntou a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho e os autarcas de Lisboa e Loures em “estado elétrico” como se confessaram Carlos Moedas e Filipe Anacoreta Correia (presidente e vice-presidente da Câmara de Lisboa) e Ricardo Leão, o presidente da Câmara de Loures.
O projeto tem a ambição de estabelecer uma ligação contínua entre os concelhos de Oeiras e Loures, passando por Lisboa, ligando o 15, o elétrico que já circula entre o Cais do Sodré e Algés, ao 16, o novo elétrico que vai ligar o Cais do Sodré ao Parque das Nações Norte, passando pelo Parque Tejo, o terreno onde se realizou a JMJ e que é palco de eventos como o Rock in Rio.
Para o percurso entre o Terreiro do Paço estão previstas 18 paragens ao longo da faixa ribeirinha — terminal de cruzeiros, Santa Apolónia, Mouzinho de Albuquerque, Xabregas, Fábrica de Unicórnios (Beato), Marvila, Poço do Bispo, Braço de Prata, Matinha, Parque das Nações Sul, Oceanário, Estação do Oriente, Torre Vasco da Gama, Alameda dos Oceanos Norte, Rotunda da Colômbia, Parque Tejo e Parque das Nações Norte. Daqui terá ligação ao BRT que vai servir o concelho de Loures numa extensão de 8 quilómetros com estações em Moscavide, Portela, Sacavém e Bobadela.
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O 16 será a primeira linha de elétrico a ser lançada em Lisboa em 67 anos. A última foi em 1958, lembrou a ministra do Ambiente. Mais do que uma linha de elétrico, o projeto assemelha-se a um metro ligeiro de superfície, como referiu Maria da Graça Carvalho, por causa da via dedicada para a infraestrutura. Atualmente, existe um corredor quase dedicado entre Cais do Sodré e Algés, mas circulam táxis e outros transportes públicos.
Este novo meio vai permitir reduzir para cerca de 22 minutos o tempo de ligação entre a Praça do Comércio e o Parque das Nações e está programada uma frequência de pelo menos 10 minutos entre veículos, de acordo com o vice-presidente da autarquia. Anacoreta Correia lembrou que esta ligação já tinha sido pensada em 1998 para a Expo 98, tendo sido recuperada pela atual autarquia (de Carlos Moedas).
O projeto está fase em avaliação ambiental e a ideia é avançar para a execução e contratação de empreitada em 2026 e realizar as obras em 2027 para que o serviço possa começar a ser prestado um ano mais tarde, em 2028. O presidente da Carris, Pedro Bogas, admitiu ao Observador a necessidade da empresa vir a comprar mais material circulante para esta operação. Mas essa é uma decisão que ainda não está consolidada. A Carris, adianta, recebeu 15 novos elétricos entre 2024 e 2025 que estão a operar na linha 15, que atualmente circula entre o Cais do Sodré e Algés.
De acordo com o estudo de mercado da consultora TIS, o elétrico 16 pode atrair 8 milhões de passageiros por ano, dos quais 16% a 18% serão novos utilizadores dos transportes públicos. A mesma fonte aponta para uma redução de 4800 veículos automóveis por dia e redução de 123 mil toneladas de CO2.