A primeira testemunha a ser ouvida na manhã desta segunda-feira, no julgamento do caso Pretoriano, foi o agente da PSP que fez as buscas à casa da família Madureira. Rui Costa revelou que, na sequência dessas diligências, foi apresentada uma queixa por denúncia caluniosa contra o casal Fernando e Sandra, depois de os dois terem apresentado uma primeira queixa, entretanto arquivada, contra os agentes por furto de objetos durante as buscas, revela o Correio da Manhã.
“A operação foi planeada, a entrada na casa foi feita por uma equipa técnica que veio de Lisboa. Entraram através de arrombamento, a porta ficou estragada. O casal Madureira estava no quarto, pelo que percebi estavam ainda na cama. Num móvel de TV tinham 620 euros e num saco debaixo da cama tinham mais 31.550 euros”, detalhou a testemunha citada pelo Correio da Manhã.
Questionado pelo motivo que levou à apreensão de carros, Rui Costa justifica que foi dada essa indicação, o que resultou na apreensão de dois BMW e um Porsche.
De mãos no rosto, fala também o agente Paulo Carvalho, que tenta ocultar a sua identidade para não comprometer os seus serviços. Todavia, a juíza responde que não pode tapar a cara por não ter pedido reserva de imagem.
“A entrada foi feita por uma equipa tática. Arrombaram a porta. No quarto tinham apontamentos, quantias monetárias. Eu apreendi uma quantia em cima de um pequeno sofá. Acho que eram 3 mil, quatro mil euros. (…) Na sala tinham cerca de 3 mil euros e na garagem, num casaco que seria da dona Sandra, encontrámos cerca de 300 euros”, disse Paulo Carvalho, citado pelo Correio da Manhã.
Testemunhas com “medo de represálias” pediram ausência dos arguidos da Operação Pretoriano
Questionado pelo advogado de Sandra Madureira sobre um computador (que foi fotografado, mas não apreendido), o agente justifica que lhe disseram que o portátil estaria “avariado ou era de estudo de uma das filhas” da família. “Então porque decidiram aprender dinheiro nos quartos das filhas?”, insiste o advogado.
“Foi a nossa opção. Se foi má já foi tomada. Queríamos apreender a maior prova possível. Tínhamos indicação para apreender tudo o que fossem quantias monetárias”, concluiu.
Antes da pausa de almoço, outro agente confirmou que durante as buscas à casa de Hugo ‘Polaco’ foi apreendida a roupa que parecia ser a que o arguido estava a usar na Assembleia Geral do FC Porto, além de mil euros em notas de 20 “em cima de uma cómoda”, cita o Correio da Manhã.
Esta segunda-feira de manhã, Fernando Madureira chegou ao Tribunal de S. João Novo, no Porto, onde decorre o julgamento da ‘Operação Pretoriano’. ‘Macaco’, como era conhecido o líder da claque portista dos Super Dragões (SD), é o único arguido em prisão preventiva.
Na última sessão, na passada terça-feira, foram ouvidas sete testemunhas, em 13 previstas, numa altura em que o atraso nas audições supera as 30.
Sandra Madureira pede autorização para poder ir a Fátima
Antes de ser ouvido o agente da PSP, a juíza aceitou um pedido de Sandra Madureira: a mulher do antigo líder claque pediu para não se apresentar às autoridades entre 6 e 11 de maio para poder peregrinar a Fátima, sendo que faltará às audiências do julgamento de dia 8 e 9 de maio pelo mesmo motivo — as medidas de coação aplicadas à arguida obrigam-na a apresentar-se três vezes por semana (segundas, quartas e sextas) e em dias de jogos do FC Porto.
O julgamento, no qual o FC Porto pede uma indemnização civil de cinco milhões de euros, tem 12 arguidos acusados de um total de 31 crimes na Assembleia Geral dos azuis e brancos em novembro de 2023 (cinco meses antes das eleições que colocaram um ponto final na liderança hegemónica de Jorge Nuno Pinto da Costa).
Entre os inúmeros crimes, constam 19 de coação agravada, sete de ofensa à integridade física no âmbito de espetáculo desportivo, três de atentado à liberdade de informação, um de instigação pública a um crime e um de arremesso de objeto.
Chefe da PSP encontrou 104 bilhetes do FC Porto em casa de Vítor Aleixo
O chefe da PSP responsável pelas buscas domiciliárias ao arguido Vítor Manuel Oliveira, “Aleixo pai”, afirmou, na mesma sessão do julgamento, ter então encontrado 104 bilhetes para jogos do FC Porto. O depoente explicou que já recaiam, antes das buscas ocorridas em janeiro de 2024, suspeitas da existência de um sistema de venda ilícita de bilhetes.
“Apreendemos o telemóvel e 104 bilhetes do FC Porto. Destes, 87 eram para o jogo do Arsenal [em 21 de fevereiro de 2024], 10 para o jogo de hóquei em patins com o Benfica, seis para o voleibol com o Leixões, que já tinha acontecido à data, e um do jogo frente ao Sporting de Braga, a 14 de janeiro”, enumerou.
Numa busca que decorreu com a colaboração do conhecido adepto portista, que abriu a porta de casa às autoridades, foi também apreendido o seu telemóvel. “Chamou-me à atenção o facto de os bilhetes serem nominais, de estarem em nome de sócios. Suponho que seriam de alguém que tivesse lugar cativo”, acrescentou a testemunha.